Recuperação do petróleo na Venezuela impulsiona petroleiras americanas

A reativação da indústria de petróleo na Venezuela, apoiada por planos do governo americano, tem impulsionado ações de petroleiras e fornecedoras de serviços dos Estados Unidos. Empresas como ExxonMobil, Chevron, ConocoPhillips e gigantes do setor de serviços, como Halliburton, Baker Hughes e Schlumberger, registraram altas significativas após a captura do ditador Nicolás Maduro, sinalizando expectativas de recuperação do mercado petrolífero venezuelano.

Petroleiras e fornecedores na mira da recuperação venezuelana

Segundo especialistas, a atuação de empresas como Baker Hughes, Schlumberger e Halliburton será crucial na recuperação dos campos de petróleo da Venezuela, que possui a maior reserva do mundo, estimada em 303 bilhões de barris. O país é conhecido por produzir um óleo pesado, que exige processos complexos de extração envolvendo fluidos químicos, revestimentos especiais e injeção de vapor para aquecer o reservatório.

Na Bolsa de Nova York, os principais fornecedores de equipamentos para o setor, como Schlumberger, subiram até 11% na última sessão. Halliburton avançou 7,87%, enquanto Baker Hughes registrou alta de 4,09%. Entre as petroleiras, Chevron fechou com alta de 5,13%, seguida por ConocoPhillips (+2,59%) e ExxonMobil (+2,54%).

O papel das empresas de serviços na exploração de petróleo pesado

Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), destacou: “Extraír petróleo pesado requer grande quantidade de fluidos e tecnologia específica. Empresas como Baker Hughes, Schlumberger e Halliburton terão papel central na recuperação dos campos venezuelanos, mesmo com desafios técnicos e ambientais a serem enfrentados.”

Especialistas ouvidos pelo GLOBO avaliam que essas companhias são candidatas naturais para atuar nos projetos de recuperação, dependendo da evolução de sanções e negociações. Contudo, alertam para a necessidade de cautela nesse processo de retomada.

Histórico de controvérsias e oportunidades de investimento

Um analista lembra o escândalo envolvendo a Halliburton durante a Guerra do Iraque, em 2003, quando a empresa recebeu contratos bilionários do governo americano sem licitação, em um episódio que gerou suspeitas de favorecimento político. Dick Cheney, ex-vice-presidente dos EUA e antigo presidente-executivo da Halliburton, foi uma figura central nesse episódio, embora investigações oficiais tenham concluído que não houve ilegalidades.

Rafael Chaves, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), afirma que a alta das ações americanas no setor de petróleo se explica pelo potencial de investimento na Venezuela, que possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo, cerca de 20% das reservas globais. Para ele, o foco deve estar na recuperação de poços existentes, e não em novas campanhas exploratórias, mas ainda há desafios técnicos e ambientais envolvidos.

Perspectivas e desafios futuros

Chaves destaca que o principal ponto a ser definido é qual será o modelo regulatório para as operações na Venezuela, além das regras do jogo. A questão financeira também é importante, pois ainda não há clareza sobre os custos de recuperação e os obstáculos ambientais. Além disso, o valor de mercado dessas empresas, que registrou altas recentes, reflete a expectativa de lucros elevados com a retomada da produção venezuelana.

O professor da FGV lembra que a Venezuela, que possui cerca de 20% das reservas mundiais, não precisa de uma nova campanha exploratória, mas sim de ações voltadas à recuperação de campos já abandonados. As próximas semanas devem revelar como as negociações entre países e sanções americanas evoluirão nesse processo de revitalização do setor petrolífero venezuelano.

Para mais detalhes, acesse a matéria completa no Globo.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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