Questões financeiras e suspeitas marcam o futuro do Mercado Municipal de São Paulo

A Brain Realty, concessionária responsável pela gestão do Mercado Municipal de São Paulo, enfrenta questionamentos do Tribunal de Contas do Município (TCM) acerca de sua capacidade financeira, após revelar um capital circulante líquido negativo de R$ 24 milhões. A empresa, ligada ao grupo Reag, também está no centro de investigações do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre irregularidades em sua gestão.

Problemas financeiros e sinais de irregularidades

Durante análise preliminar, o TCM identificou indícios de fragilidade financeira na concessionária, cuja capacidade de cumprir o contrato de 25 anos, que contempla restauração, manutenção e exploração do Mercado, pode estar comprometida. Segundo nota do tribunal, constatou-se que a empresa possui recursos insuficientes para garantir suas obrigações, além de alertar sobre a necessidade de comprovação da capacidade de gestão e de recursos.

O presidente do Mercado Municipal de São Paulo, Aldo Bonametti, afirmou que o consórcio possui condições de administrar o Mercado, ressaltando que os investimentos feitos, que totalizaram cerca de R$ 170 milhões, reforçam sua capacidade. No entanto, questionamentos sobre a origem do capital da Brain Realty, que aumentou seu capital social de R$ 100 para R$ 2,22 milhões em março de 2024, permanecem sem resposta clara. Leia mais.

Sequência de empréstimos e operações suspeitas

O caso envolve uma sequência de operações financeiras complexas. Segundo as investigações, a Brain Realty recebeu um empréstimo de R$ 459 milhões do Banco Master em março de 2024, seguido de aportes consideráveis em fundos administrados pela Reag, inclusive no fundo Brain Cash, do qual a empresa é única cotista.

O dinheiro, pouco tempo após ser recebido, foi transferido para fundos ligados à Reag, incluindo o Fundo D Mais e o FIDC High Tower. Os fundos reavaliaram ativos considerados sem valor, obtendo uma rentabilidade extraordinária de mais de 10 milhões por cento em 2024, levantando suspeitas de reavaliações artificiais e manipulação de ativos.

Implicações e reações

As operações suspeitas envolvem transferências fracionadas e uma reavaliação que estaria longe de refletir ganhos econômicos reais. A Reag não se manifestou oficialmente sobre o caso, alegando que os recursos destinam-se a projetos específicos vinculados às operações de crédito estruturado.

Por sua vez, a prefeitura de São Paulo informou que faz fiscalizações regulares na concessionária, ressaltando que o restaurante do Mercado já foi totalmente restaurado e que as intervenções atuais continuam sem prejuízo à operação do espaço. A administração municipal destacou que acompanha as atividades, agindo dentro de suas competências e colaborando com as investigações.

O futuro da gestão do Mercado e os desafios

O julgamento do Tribunal de Contas do Município ainda está em andamento, e há expectativa de conclusão nos próximos meses. A incerteza sobre a capacidade financeira do consórcio e as operações suspeitas reforçam a necessidade de maior atenção às concessionárias públicas na cidade.

Enquanto isso, o Fundo Mercado Municipal, sob gestão da CVM, possui cerca de R$ 123 milhões. O próprio Bonametti, presidente do Mercado, defende a capacidade do consórcio, afirmando que os investimentos realizados reforçam sua autonomia.

A investigação completa aponta para possíveis irregularidades na reavaliação de ativos e no percurso financeiro dos recursos, levantando questionamentos sobre a transparência e a conformidade das operações do grupo Reag, além de seu impacto no patrimônio do Mercado Municipal de São Paulo. As ações continuam em curso, enquanto o mercado aguarda os desdobramentos finais dessas apurações.

Para mais detalhes, acesse a matéria completa.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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