Pressão dos EUA impulsiona avanço do acordo entre UE e Mercosul

Após a postura mais assertiva dos Estados Unidos em relação à sua influência na América do Sul, especialmente pelo ataque do governo de Donald Trump à Venezuela, cresce a pressão para que a União Europeia finalize o acordo comercial com o Mercosul. A estratégia americana, que tende a afastar parceiros tradicionais, tem acelerado a busca da Europa por fortalecer vínculos na região.

Impacto da política de Trump na relação Europe-Mercosul

Consultores de comércio exterior e especialistas em direito internacional avaliam que, em tempos de instabilidade global, a postura agressiva dos EUA tende a aproximar europeus e sul-americanos na busca por alianças mais previsíveis. Segundo Marcos Jank, professor do Insper, a posição dos EUA na região, incluindo o discurso recente de Trump que sinaliza uma América do Sul como esfera de influência de Washington, empurra a Europa para fortalecer laços com o Mercosul.

“A forma como os Estados Unidos se posicionam na América Latina pode ser um elemento importante para aprofundar as relações entre Europa e o Mercosul através de um acordo comercial”, explica Jank. Ele ressalta ainda que o alinhamento europeu com o bloco sul-americano é uma estratégia para preservar influência em uma cenário mundial cada vez mais fragmentado, marcado pela disputa por áreas de influência.

Repercussões na relação Europa-China

Enquanto isso, o acordo com o Mercosul é considerado mais previsível e há negociações há mais de duas décadas, diferentemente da relação com a China, que envolve uma disputa hegemônica explícita com os Estados Unidos. Roberto Jaguaribe, ex-embaixador do Brasil na Alemanha, destaca que a instabilidade do sistema internacional reforça a necessidade da Europa de buscar parceiros confiáveis, e a ofensiva americana na Venezuela reforça esse movimento.

Segundo ele, essa iniciativa também é vista como uma oportunidade de a Europa assegurar influência fora do continente, sobretudo na América Latina. “O tratado tende a ajudar a UE a manter sua presença em regiões com forte peso estratégico, mesmo diante de uma rivalidade com EUA e China”, afirma Jaguaribe.

A posição de Itália e as vantagens do acordo para a Europa

De acordo com especialistas, o apoio de países como Itália — que anteriormente resistiu ao fechamento do acordo por questões internas — evidencia o peso que o entendimento entre UE e Mercosul tem para o continente europeu. A jogada política, liderada pela primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, visa maximizar benefícios econômicos e políticos, já que a relação com o Mercosul representa uma vantagem competitiva em relação aos Estados Unidos e à China.

“A Itália entende que esse acordo é muito vantajoso para a Europa, pois oferece acesso diferenciado ao mercado do Mercosul, uma oportunidade que não está disponível para China e EUA nas mesmas condições”, explica Jaguaribe. Ele acrescenta que, apesar das dificuldades anteriores, há esperança de que o entendimento seja concretizado, trazendo ganhos estratégicos para o bloco europeu.

Perspectivas e próximos passos na negociação UE-Mercosul

Especialistas alertam que, embora a assinatura definitiva ainda esteja pendente, o cenário político indica um movimento favorável ao avanço do tratado. Recentemente, a pressão interna na UE, especialmente da Itália, aliada à necessidade de diversificação de parceiros comerciais, pode ser decisiva. Lula, por sua vez, mantém a urgência para assinar o acordo, mesmo com objeções do setor agro brasileiro.

A expectativa é de que a assinatura seja concretizada nos próximos meses, reforçando o papel da Europa na disputa por influência na América do Sul. Segundo análise de especialistas no tema, a concretização do acordo poderá significar uma nova fase de cooperação entre os dois blocos, com impacto direto nas relações internacionais.

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Com informações do Jornal Diário do Povo

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