Powell denuncia ameaças de Trump a investigação criminal no Fed

Em uma postura inédita, Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, afirmou nesta segunda-feira (12) que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos o notificou com intimações de um grande júri e ameaçou apresentá-lo uma acusação criminal. A denúncia está relacionada ao depoimento de Powell ao Senado no ano passado, sobre a reforma de prédios históricos do banco central americano.

Pressões políticas e ameaça de criminalização

Powell declarou que as ações do governo Trump representam uma escalada de pressões políticas para influenciar a condução da política monetária, incluindo tentativas de acelerar cortes na taxa de juros. Segundo ele, a medida não se sustenta pelo conteúdo da reforma nem pela função de fiscalização do Congresso. “Essa ação sem precedentes deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças e da pressão contínua do governo”, afirmou.

A Casa Branca, por sua vez, negou qualquer investigação direcionada contra Powell, afirmando que o presidente Donald Trump não ordenou qualquer apuração contra o dirigente do Fed.

Repercussões na relação entre o Fed e o governo

Mudança na postura de Powell

Pela primeira vez desde que assumiu em 2018, Powell atribuiu publicamente à administração Trump uma tentativa de interferência na independência do banco central por meio de mecanismos legais. “Isso é sobre saber se o Fed poderá continuar a definir as taxas de juros com base em dados econômicos — ou se será manipulationado por pressão política”, alertou.

Contexto de deterioração na relação

As declarações refletem uma relação tensionada entre Powell e Trump, que tem criticado a condução da política monetária, cobrando cortes mais agressivos na taxa de juros e até cogitando a substituição do presidente do Fed, apesar das proteções legais do mandato.

Reforma do prédio do Fed e envolvimento político

O episódio envolvendo a reforma do prédio, que trata da modernização de infraestrutura antiga, também foi questionado pelo governo, que alegou elevado custo. Powell explicou que as mudanças eram necessárias e que o Fed manteve comunicação transparente, mas ressaltou que o tema foi utilizado para aumentar a pressão política sobre a instituição.

Impacto no mercado financeiro e opiniões de especialistas

Na Bolsa de Nova York, os principais índices reagiram com leve queda. O Dow Jones recuou 0,12%, enquanto o S&P 500 subiu 0,07% e o Nasdaq avançou 0,33%. O dólar perdeu força frente a uma cesta de moedas, caindo 0,37%, enquanto o ouro disparou 2,38%, cotado a US$ 4.617 por onça.

Para economistas, a ameaça de criminalização reforça as preocupações sobre a autonomia do Fed. Jan Hatzius, chefe de economia do Goldman Sachs, afirmou que a crise aumenta o debate institucional, mas garantiu que Powell deve continuar tomando decisões com base em dados econômicos, sem influência externa.

Ex-presidentes do Fed e ex-secretários do Tesouro também emitiram uma declaração conjunta, alertando que ataques de ordem criminal contra autoridades monetárias representam uma ameaça a países com instituições frágeis, podendo prejudicar a inflação e a estabilidade econômica.

Casa Branca reafirma a independência do Fed

Questionada, a Casa Branca declarou que Donald Trump não ordenou nenhuma investigação contra Powell, fortalecendo a narrativa de que o episódio é uma tentativa de interferência política, que ameaça a credibilidade do banco central.

A situação acompanha uma crescente deterioração na relação entre o governo e o Fed, que tem potencial para afetar a condução da política monetária e a estabilidade econômica dos Estados Unidos nos próximos meses.

Com informações do Jornal Diário do Povo

Share this content:

Publicar comentário