Por que tantos brasileiros querem trocar de emprego em 2026

Pensar em mudar de emprego tem passado pela cabeça de mais da metade dos brasileiros, segundo uma pesquisa da Robert Half divulgada nesta segunda-feira (5). O estudo aponta que 61% dos profissionais pretendem procurar uma nova oportunidade em 2026, refletindo um mercado de trabalho cada vez mais aquecido e com maior confiança dos trabalhadores.

Razões por trás da rotatividade crescente no mercado de trabalho

O cenário favorável combina a queda do desemprego, que atingiu 5,2% no país — o menor da série histórica do IBGE —, com a expectativa de crescimento da economia brasileira perto de 2% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo o economista Bruno Imaizumi, da 4intelligence, essa confiança impulsiona a busca por melhores posições. “Quando a atividade econômica cresce, o mercado de trabalho responde de forma positiva, ainda que com algum retardo”, afirma.

Outro fator que contribui para o aumento da rotatividade é o elevado nível de desligamentos voluntários. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indicam que, em outubro de 2025, quase 38% dos desligamentos foram a pedido do trabalhador, o maior índice da série histórica. Imaizumi explica que essa alta reflete tanto um mercado aquecido quanto uma estrutura econômica que inclui muitas ocupações de baixa qualificação, salários baixos e pouca perspectiva de crescimento.

Quem deseja trocar de emprego?

Entre os profissionais que pretendem mudar de empresa, 72% querem permanecer na mesma área, enquanto 28% consideram uma transição de carreira. Os principais motivos para essa vontade de sair incluem melhores oportunidades de crescimento (45%), maior remuneração (42%), novos desafios (31%), flexibilidade no trabalho (31%) e pacote de benefícios mais atraente (29%).

Fatores que motivam a saída

Segundo Imaizumi, a importância do salário e das promoções é natural, pois estão diretamente ligados à produtividade e à satisfação. “Quem ganha menos tende a se sentir mais insatisfeito e buscar alternativas”, comenta. Ainda assim, a motivação nem sempre é financeira. Entre o público jovem, a busca por reconhecimento, novas oportunidades, questões éticas, estresse, saúde mental e menor flexibilidade pesam na decisão de trocar de emprego.

Dados do MTE revelam que jovens de 18 a 24 anos permanecem em média apenas 12 meses no mesmo cargo, com uma rotatividade de 96,2% em 2024—indicando um mercado marcado pela experimentação e menor apego à estabilidade.

Quem muda de profissão e por quê?

Profissionais que desejam trocar de carreira também apontam motivos financeiros como principais razões. Entre eles, estão a busca por maior remuneração (63%), melhor qualidade de vida (39%), realização pessoal (29%), vontade de aprender algo novo (27%) e maior flexibilidade (24%). Além disso, 18% querem migrar para áreas em alta no mercado de trabalho.

Como as empresas podem reter talentos?

Para os empregadores, manter profissionais valoriza benefícios como remuneração (52%), flexibilidade de trabalho (46%), equilíbrio entre vida pessoal e profissional (33%), cultura organizacional (31%), oportunidades de crescimento (25%) e estabilidade (17%).

Fernando Mantovani, diretor da Robert Half na América do Sul, ressalta que “quatro dos cinco fatores mais citados estão ligados ao bem-estar, desenvolvimento e flexibilidade”. Imaizumi acrescenta que esses benefícios podem ser alternativa aos reajustes salariais, que nem sempre são viáveis devido ao crescimento do salário mínimo acima da inflação. “Melhorar a qualidade de vida e o ambiente ajuda, mas há um desalinhamento entre o que o trabalhador deseja e o que o empregador oferece”, aponta.

Preparação para quem pensa em pedir demissão ou mudar de área

Quem pensa em sair do emprego deve agir com cautela. Imaizumi recomenda um planejamento financeiro para entender até quando é possível se manter enquanto busca uma nova vaga. Organizar o currículo, ampliar rede de contatos e considerar oportunidades fora da região de residência são passos essenciais. “Às vezes, vagas existem em outros estados ou cidades, mas envolvem mudanças que precisam ser bem planejadas”, orienta.

O aumento da rotatividade e o desejo de mudança demonstram um mercado de trabalho cada vez mais dinâmico, onde salários, benefícios e qualidade de vida vêm desempenhando papel central na decisão dos profissionais.

Fonte: G1

Com informações do Jornal Diário do Povo

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