Operação da Polícia Federal investiga controle de Tanure no Banco Master
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira a segunda fase de uma operação que apura supostos esquemas de controle no Banco Master, envolvendo o empresário Nelson Tanure. A investigação aponta que, por meio de investimentos realizados em fundos offshore, Tanure teria obtido domínio da instituição financeira de Daniel Vorcaro, em um esquema complexo que envolve aportes bilionários desde 2020.
Controle por meio de recursos offshore e debêntures
De acordo com documentos públicos registrados na Junta Comercial de São Paulo, Tanure investiu cerca de R$ 2,5 bilhões no Banco Master através da compra de debêntures da empresa Banvox, cujo único investimento era justamente o banco de Vorcaro. Essas debêntures permitiam que os credores pagassem suas dívidas com ações da própria companhia, o que, na prática, dava a Tanure o controle indireto do banco.
Entre os fundos utilizados para esses aportes estão o Estocolmo, que detinha 11,4%, e o Aventti, com 44,32%, somando mais da metade do controle acionário da Banvox. Assim, o empresário controlava o maior percentual da empresa que alavancou bilhões no banco de Vorcaro.
Operações suspeitas e tentativas de esconder ações
Segundo as investigações, Tanure teria utilizado a complexidade dessas operações para capitalizar o banco, realizando etapas que dificultam a identificação do verdadeiro controlador. A PF suspeita que essas estratégias tenham sido deliberadas para esconder quem são os acionistas finais e os demais envolvidos no esquema.
Durante a operação desta quarta, o empresário foi alvo de mandado de busca e apreensão ao embarcar em um voo doméstico no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro.
Histórico dos investimentos e impacto na avaliação do banco
O primeiro aporte de Tanure na Master foi feito em dezembro de 2022, quando o banco tinha aproximadamente R$ 600 milhões de patrimônio. Nesse momento, a Banvox emitiu R$ 700 milhões em debêntures compradas pelo fundo Estocolmo, controlador do empresário. Em agosto de 2024, a Banvox realizou uma cisão, transferindo sua participação de 22% no Master para a DV Holding, empresa de Vorcaro, avaliando a operação em cerca de R$ 2,5 bilhões, com uma métrica de valor do banco estimada em R$ 11,2 bilhões.
A valorização do banco e as acusações de manipulação no patrimônio elevam a suspeita de controle por Tanure, especialmente considerando que a proposta do banco estatal BRB, em março de 2025, oferecia R$ 2 bilhões por 58% do banco, avaliando a instituição em cerca de R$ 3,44 bilhões. Assim, os valores investidos por Tanure poderiam ultrapassar 50% do patrimônio, tornando-o o controlador final.
Investigações em andamento e fraudes potenciais
As apurações da PF e do Ministério Público Federal começaram no ano passado e revelam uma série de movimentações financeiras e operações que levantam suspeitas de fraudes e lavagem de dinheiro. Os procedimentos buscam esclarecer quem realmente detém o controle do Banco Master e investigar possíveis desvios de recursos, especialmente na operação de alienação de participações em empresas estratégicas, como a Gafisa, Oncoclinicas e Ambipar.
O processo aponta, ainda, para alegações de que Tanure usou a Banvox para inflar artificialmente o patrimônio do banco, o que permitiu emitir títulos de dívida e ampliar suas participações no mercado financeiro de forma indevida, com possível prejuízo aos investidores e ao sistema financeiro.
Para acessar os documentos e acompanhar o andamento da investigação, clique aqui.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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