O futuro do hidrogênio verde no Brasil
O Brasil emerge como protagonista na transição energética global, com perspectiva de liderar a produção de hidrogênio verde graças à sua infraestrutura única e recursos renováveis abundantes. A regulamentação recente, como a Lei do hidrogênio de baixa emissão de carbono de agosto de 2024, reforça esse posicionamento estratégico do país.
Infraestrutura brasileira e potencial competitivo
Com cerca de 90% de energia renovável, o Sistema Interligado Nacional (SIN) é uma das maiores vantagens do Brasil no cenário mundial. Sua integração de energias hidrelétrica, solar, eólica e biomassa permite maior flexibilidade e eficiência, colocando o país em posição de destaque na geração de hidrogênio verde.
Apesar de recursos solares e eólicos serem considerados bons, não excepcionalmente. No entanto, a verdadeira singularidade brasileira reside na sua rede elétrica, que possibilita a grande escala de produção de hidrogênio verde através de um sistema bem interligado.
Desafios e critérios de conexão elétrica
Conectividade e integridade de carbono
Para garantir que a eletricidade utilizada na produção de hidrogênio seja realmente renovável, o conceito de integridade de carbono é fundamental. Isso assegura que a conexão à rede não gere emissões adicionais de carbono, algo que demanda uma avaliação contínua e aprofundada, especialmente no contexto brasileiro.
Segundo pesquisa do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), modelos internacionais adotam requisitos como adicionalidade, entregabilidade e compatibilidade temporal para assegurar a integridade de carbono, mas esses critérios podem precisar de ajustes específicos para o Brasil, dado seu sistema altamente renovável.
Riscos residuais e oportunidades
Embora a matriz energética do Brasil seja predominantemente limpa, há riscos de emissão de carbono em situações de escassez hídrica ou baixo vento, quando energia fóssil pode ser utilizada para manter a segurança da rede. Contudo, por ter uma proporção significativa de energia renovável, esses riscos são inferiores a outros países.
Para avançar, é imprescindível que o Brasil desenvolva uma abordagem própria de garantia de integridade de carbono, valorizando sua infraestrutura e reconhecendo seu diferencial; assim, poderá consolidar sua posição de liderança na indústria mundial do hidrogênio verde.
Próximos passos e perspectivas
O desenvolvimento de uma conceitualização adequada da integridade de carbono, alinhada às particularidades brasileiras, é essencial para evitar a dependência de conceitos importados que possam não contemplar toda a riqueza do sistema nacional. Dessa forma, o Brasil mostrará sua capacidade de criar padrões internacionais e consolidar-se como referência global na área.
Segundo os especialistas do CNPEM, há espaço para explorar alternativas que reconheçam a infraestrutura de baixo carbono já existente, promovendo maior eficiência e sustentabilidade na produção de hidrogênio verde. Assim, o país reforça seu papel na transição energética global, contribuindo para a redução de gases de efeito estufa e impulsionando a economia de baixo carbono.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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