Minerais críticos podem virar trunfo do Brasil nas negociações com os EUA
Com a entrada em vigor, nesta quarta-feira (6), do tarifaço de 50% sobre diversos minerais no mercado americano, o Brasil pode usar seus recursos estratégicos, como nióbio, terras raras e níquel, para negociar isenções e ampliar a cooperação com os Estados Unidos.
Minerais críticos ganham destaque nas negociações com os EUA
O interesse dos Estados Unidos em ampliar o acesso a minerais críticos, essenciais para indústrias de alta tecnologia, energia limpa, defesa e mobilidade elétrica, tem potencial para fortalecer o papel do Brasil no cenário internacional. Segundo o encarregado de negócio da embaixada americana no Brasil, Gabriel Escobar, o país manifestou interesse em ampliar o acesso a recursos como terras raras e nióbio, considerados essenciais para o setor tecnológico.
Oportunidade estratégica para o Brasil
O Brasil, que detém a maior reserva mundial de nióbio, a segunda maior de grafite e terras raras, além da terceira maior de níquel, vê na negociação uma chance de obter contrapartidas comerciais, acesso a novas tecnologias e investimentos em beneficiamento — etapa na qual ainda depende de processamento externo. Segundo especialistas, a iniciativa pode abrir portas para maior autonomia na cadeia de valor dos minerais estratégicos.
Contexto global e vulnerabilidades das cadeias produtivas
O cenário internacional é marcado pela dominância da China na refinação de 19 dos 20 minerais considerados críticos, com cerca de 70% de participação no mercado global. Washington busca diversificar fornecedores para reduzir vulnerabilidades e evitar a dependência de um único país, o que torna os minerais brasileiros uma peça-chave nesse esforço de diversificação.
Impacto do tarifaço e possibilidades de exceções
Apesar do tarifaço que aumenta a sobretaxa sobre minerais como ferro, ouro, rochas ornamentais e outros, o setor brasileiro espera negociar exceções para minerais relevantes, como manganês, cobre, vanádio, bauxita e caulim. Segundo o Ibram, 24,4% das exportações de minérios aos EUA podem ser afetadas, estimulando a busca por alternativas e melhorias na cadeia produtiva nacional.
Perspectivas de cooperação bilateral
O governo brasileiro já trabalha na elaboração de uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, prevista para ser lançada até novembro, com foco na agregação de valor e fortalecimento da indústria local. Além disso, uma missão empresarial brasileira aos EUA está prevista para ainda este ano, aprofundando diálogos e buscando áreas de cooperação técnica e comercial.
Propostas de parcerias e investimentos
Setores privados e instituições de fomento diplomático sugerem um plano de ação bilateral que inclua cooperação técnica, financiamento conjunto e parcerias tecnológicas. Entre os objetivos estão o mapeamento geológico, inovação em processos de beneficiamento e padrões ambientais alinhados à ISO 14001.
Dados econômicos e projeções para o setor mineral
Nos primeiros sete meses de 2025, o faturamento com minerais críticos atingiu R$ 21,6 bilhões, com alta de 41,6% em relação a 2024, representando cerca de 4% das exportações brasileiras para os EUA. A previsão de investimentos na mineração até 2029 é de US$ 68,4 bilhões, sendo US$ 18,45 bilhões destinados a minerais considerados estratégicos, concentrados principalmente em Minas Gerais, Pará e Bahia.
O momento favorece o Brasil em uma disputa global por minerais estratégicos, colocando o país numa posição de destaque para renegociar suas condições comerciais e aprofundar a sua presença no mercado mundial de recursos naturais.
Para saber mais detalhes sobre as negociações e estratégias brasileiras em minerais críticos, acesse a matéria no GLOBO Economia.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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