México aprova tarifas de até 50% sobre importações da Ásia

O Senado do México aprovou nesta quarta-feira (10) um projeto de lei que impõe tarifas entre 5% e 50% sobre mais de 1.400 produtos importados da Ásia, principalmente de países sem acordos comerciais com o México. As novas tarifas entram em vigor no próximo ano e visam fortalecer a indústria local, especialmente a automotiva, perante a crescente competição internacional.

Tarifas e impacto na economia mexicana

A legislação, aprovada com 76 votos a favor, cinco contra e 35 abstenções, tem como principal objetivo reduzir a dependência de insumos provenientes de China, Índia e Coreia do Sul, além de proteger setores estratégicos frente à concorrência asiática. Segundo o Ministério das Finanças do México, a medida deve gerar uma arrecadação adicional de aproximadamente 52 bilhões de pesos (US$ 2,8 bilhões) em 2025.

As sobretaxas afetarão produtos variados, de roupas a autopeças, e refletem uma mudança radical na postura do país, que por décadas foi defensor do livre comércio nas Américas. A presidente Claudia Sheinbaum justifica a iniciativa como uma estratégia para estimular a produção interna e diversificar as exportações mexicanas, alinhando-se às políticas de restrição adotadas pelos Estados Unidos.

Relacionamento com as políticas dos EUA e semelhanças com Trump

Apesar de Sheinbaum ter negado qualquer ligação formal com a guerra tarifária de Donald Trump contra a China, as novas sobretaxas apresentam semelhanças com a abordagem do ex-presidente norte-americano. A estratégia busca reduzir a triangulação nas importações chinesas, muitas delas passando por terceiros países, o que preocupa o governo dos EUA, especialmente na atual administração de Joe Biden.

A adoção dessas medidas também responde à pressão por uma maior proteção do setor automotivo mexicano. Autoridades chinesas classificaram as tarifas como injustificadas e prejudiciais, destacando que os aumentos elevados, de até 50%, incidem principalmente sobre veículos chineses, que atualmente representam cerca de 20% do mercado automotivo do México. Algumas indústrias de automóveis apoiaram as sobretaxas, visando salvaguardar seus interesses diante da concorrência asiática.

Reações internacionais e perspectivas futuras

As autoridades chinesas criticaram duramente a decisão mexicana, alegando que as tarifas são prejudiciais ao comércio bilateral. As maiores sobretaxas, de 50%, recairão sobre veículos automotores, setor de grande peso na economia chinesa. Além disso, o México fortalece sua autonomia ao dar mais poder ao Ministério da Economia, que poderá ajustar as tarifas conforme as condições do mercado.

Do lado político, a proposta enfrentou resistência de setores que temem uma escalada protecionista, mas foi apoiada por parlamentares do Morena, partido de esquerda do presidente. A expectativa é que as novas tarifas contribuam para a reindustrialização do México e a criação de novas oportunidades, apesar do risco de retaliações comerciais por parte dos países asiáticos.

Especialistas avaliam que a medida demonstra a mudança de rumo do México, que passa a adotar uma postura mais similar à de outros países que buscam proteger seus setores industriais frente à crescente influência econômica da Ásia. Com a nova legislação, o país busca equilibrar seus interesses comerciais e de sustentabilidade econômica, mesmo em meio a tensões internacionais.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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