México aprova sobretaxas de até 50% sobre produtos do Brasil e outros países

O Senado mexicano aprovou na quarta-feira (10) um projeto de lei que aumenta as tarifas de importação de produtos de uma dúzia de países, incluindo o Brasil. As sobretaxas, que podem chegar a 50%, visam fortalecer a indústria local e reduzir a dependência de importações estrangeiras, especialmente da China.

Medida faz parte do ‘Plano México’ e busca fortalecer setor industrial

O texto, aprovado por 76 votos favoráveis e cinco contrários, inclui tarifas que variam de 5% a 50%, com maioria entre 20% e 35%. Países como Coreia do Sul, Índia, Indonésia, Rússia, Tailândia, Turquia e Taiwan também foram atingidos. As tarifas entrarão em vigor em 1º de janeiro de 2026, após a publicação oficial da presidente Claudia Sheinbaum.

De acordo com membros do governo mexicano, a iniciativa faz parte do ‘Plano México’, lançado para proteger a economia nacional, promover empregos e ampliar as cadeias de suprimentos locais. “Nosso objetivo é fortalecer a indústria mexicana e reduzir a dependência de produtos importados”, afirmou o senador Juan Carlos Loera, do partido governista Morena.

Impactos para o Brasil e reação internacional

As sobretaxas afetarão produtos classificados em 1.463 categorias tarifárias, incluindo automotivo, têxtil, eletrônicos e vestuário, principalmente itens importados da China. As tarifas mais elevadas, de 50%, recairão sobre carros chineses, setor que responde por 20% do mercado automotivo mexicano.

Autoridades chinesas criticaram duramente as medidas, afirmando que são injustificadas e prejudiciais às relações comerciais. “Essas tarifas representam uma coerção que prejudica o livre comércio e podem gerar retaliações por parte de Pequim”, declarou um porta-voz do governo chinês. A China já sinalizou a possibilidade de medidas retaliatórias.

Reações internas e críticas ao processo

Apesar do suporte de setores industriais e do apoio às medidas protecionistas, diversos representantes manifestaram preocupação com os efeitos inflacionários e o impacto na economia. A oposição acusa o projeto de ter sido elaborado de forma apressada, sem análise detalhada do impacto sobre a inflação e os interesses do consumidor.

O deputado Mario Humberto Vázquez, do partido da oposição PAN, destacou a pressão dos EUA como fator motivador. “As tarifas parecem ser uma resposta à política comercial de Washington, o que coloca o México em uma posição de vulnerabilidade”, afirmou.

Ajustes nas importações e possíveis reações econômicas

Além das sobretaxas, o governo mexicano deu mais poderes ao Ministério da Economia para ajustar as tarifas conforme as necessidades do setor produtivo. Especialistas alertam que a medida pode provocar uma guerra comercial, especialmente com China, a maior parceira do México em exportações.

Para o Brasil, o impacto direto ainda é incerto, mas o aumento de tarifas mexicanas também valerá para produtos brasileiros, incluindo alimentos, vestuário e itens industriais. O governo brasileiro acompanha atentos os desdobramentos dessa política mexicana.

Cenário internacional e perspectivas futuras

O movimento do México ocorre em um contexto de crescentes tensões comerciais entre Estados Unidos, China e outros países. A iniciativa mexicana reflete o esforço de diversificar suas fontes de suprimento e proteger a produção local, embora possa acirrar disputas comerciais na região.

Espera-se que os próximos meses tragam novas negociações e possíveis reações de países afetados, incluindo o Brasil, que precisará avaliar estratégias de resposta e adaptação às novas tarifas mexicanas. A relação comercial entre os dois países deve ser acompanhada de perto nas próximas semanas.

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Com informações do Jornal Diário do Povo

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