Menino brasileiro volta às aulas com medo após agressão em Portugal

Nívia Estevam, mãe de José, relata que o filho, brasileiro de 10 anos, voltou a frequentar a escola após sofrer uma agressão que resultou na mutilação de dois dedos na escola pública de Cinfães, região de Viseu, em Portugal. O incidente aconteceu no último dia 10 e tem gerado comoção e investigação por parte das autoridades portuguesas.

Agressão e cuidados médicos

José teve partes de dois dedos da mão esquerda amputadas ao ser preso em uma porta durante uma briga entre colegas na escola. Ainda com inflamação no dedo afetado, o menino passará por um diagnóstico mais detalhado nesta quarta-feira, segundo Nívia. “O dedo indicador está bem cicatrizado, mas o dedo maior está inflamado e com a unha encravada. Vamos ver com os cirurgiões o que será feito”, afirmou a mãe, que também comentou que parte dos dedos foi implantada e que o menino se recupera em casa após a cirurgia.

Reações da criança e o retorno à escola

Nívia disse que José, que deixou de tomar remédios para dormir, demora a falar sobre a agressão, não gosta de que perguntem o que aconteceu e se sente confortável ao mostrar o dedo mutilado. “Ele quase não toca no assunto, mas quer mostrar para as pessoas que veio aqui em casa, o que me deixou feliz, pois pensava que sentiria vergonha”, declarou.

O episódio e a resposta da escola

A mãe reclama da falta de informações por parte da escola sobre os primeiros cuidados dados ao filho após a agressão. “Acho que eu, como responsável, tinha direito de saber quem prestou os primeiros socorros, quem chamou a ambulância, quem limpou o sangue e os dedos dele”, afirmou. Nívia também acusou negligência por parte de três adultos presentes na escola, que, ao tentar cuidar das crianças ao mesmo tempo, dividiram-se entre prestar os primeiros socorros e manter a rotina escolar.

Investigação e posicionamento das autoridades

O caso está sendo investigado pelo Ministério da Educação de Portugal, que abriu processos de averiguação. Segundo a escola, um inquérito interno foi instaurado, e o Ministério afirmou que há uma investigação oficial iniciada a pedido do diretor-geral da Direção-Geral de Estabelecimentos Escolares. “Eles tinham o dever de nos informar nos momentos em que meu filho estava ferido”, criticou Nívia, que também mencionou a negligência na assistência durante a emergência.

Contexto e antecedentes

José estava em sala de aula na companhia de duas auxiliares e uma professora no momento da agressão, de acordo com Nívia. Ela afirma que, apesar do impacto do incidente, o menino tem apresentado uma melhora emocional e que faz acompanhamento psicológico. “Ele gosta de ir ao psicólogo, fala mais e não gosta que perguntem sobre o que aconteceu”, explicou.

O menino e a mãe devem ser ouvidos na audiência marcada para o dia 21 de novembro em Cinfães. A sessão será gravada e abordará as circunstâncias da agressão e o cuidado após o episódio. Nívia também destacou que ainda não recebeu respostas completas da escola sobre os primeiros socorros prestados ao filho.

Repercussões e opiniões

A violência envolvendo crianças em Portugal tem sido alvo de debate. Segundo relatórios, há uma escalada de violência e xenofobia linguística, como mostram estudos sobre preconceito contra alunos brasileiros no país (leia mais).

Além disso, o caso de José se soma a uma série de episódios preocupantes, levando o governo de Portugal a investigar a segurança nas escolas e a assegurar os direitos dos estudantes estrangeiros no país (mais detalhes aqui).

Com informações do Jornal Diário do Povo

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