Lula e Trump discutem combate ao crime organizado e tarifas comerciais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou ontem uma ligação de 40 minutos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tratar de questões relacionadas à lavagem de dinheiro, tarifas comerciais e cooperação contra o crime organizado. A conversa ocorreu em meio a investigações sobre fraudes financeiras envolvendo empresas que operam em Delaware, nos EUA.

Diálogo sobre crime organizado e fraudes financeiras

Segundo o Palácio do Planalto, a conversa abordou principalmente o combate ao crime organizado internacional. Lula indicou que a decisão dos Estados Unidos de retirar tarifas adicionais de 40% sobre produtos brasileiros, como carne, café e frutas, foi bastante positiva. Ainda assim, destacou a necessidade de avançar nas negociações para eliminar outras tarifas que ainda pesam sobre produtos brasileiros, como parte de um esforço para fortalecer o comércio bilateral.

Antes do contato, o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, apresentou uma análise das fraudes relacionadas ao Grupo Refit, que movimentou cerca de R$ 72 bilhões em um ano para ocultar lucros por meio de empresas offshore em Delaware, considerado um paraíso fiscal. O uso de empresas do estado norte-americano para lavagem de dinheiro foi apontado como uma das principais preocupações do governo brasileiro.

Cooperação entre Brasil e EUA contra o crime

Após a reunião, o governo brasileiro reforçou que Lula ressaltou a urgência de intensificar a cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado internacional. O presidente americano, Donald Trump, expressou total disposição de colaborar e apoiou iniciativas conjuntas entre os dois países. O tema foi reforçado pelos ministros presentes, como Fernando Haddad (Fazenda) e Mauro Vieira (Relações Exteriores).

Histórico de investigações

Na véspera da ligação, Haddad já havia destacado, durante uma reunião no Palácio do Planalto, as suspeitas de fraudes envolvendo empresas de Delaware, apontando que fundos de empréstimos fazem operações que parecem ser vazias, retornando ao Brasil como investimentos fictícios. Essa temática foi novamente reforçada na conversa, indicando uma preocupação do governo brasileiro em combater a lavagem de dinheiro e o evasão fiscal.

Perspectivas futuras e continuidade do diálogo

No encerramento do telefonema, Lula pediu que o material da apresentação sobre as fraudes fosse traduzido para o inglês, facilitando futuras conversas com Trump. Os dois presidentes concordaram em manter o diálogo e retomar as discussões em breve, sobretudo sobre o fortalecimento da cooperação internacional no enfrentamento ao crime organizado.

Depois do encontro, Trump descreveu a conversa como “muito boa” e revelou que discutiram também sobre as sanções impostas ao Brasil, as quais, segundo ele, foram parcialmente retiradas recentemente. Ele afirmou ainda que gosta de Lula e que a relação entre ambos tem potencial para avançar positivamente.

Brasil e EUA continuam empenhados em ampliar sua parceria no combate às atividades ilícitas que atravessam fronteiras, enquanto buscam melhorar as relações comerciais, em um cenário de negociações ainda em andamento.

Com informações do Jornal Diário do Povo

Share this content:

Publicar comentário