Lula e Modi discutem tarifas de Trump e fortalecem relações Brasil-Índia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou nesta quinta-feira (7) ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, para abordar as tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos à Índia e discutir o fortalecimento da parceria entre Brasil e Índia no cenário internacional. O diálogo ocorreu um dia após Donald Trump anunciar uma sobretaxa de 25% sobre as importações indianas, elevando a tarifa total para 50%, na tentativa de pressionar o país por compras de energia russa e outras questões comerciais.
Tarifas unilaterais e defesa do multilateralismo
Segundo o governo brasileiro, a conversa durou aproximadamente uma hora e focou na contestação às tarifas unilaterais aplicadas por Washington. Os dois líderes reafirmaram a importância do multilateralismo para enfrentar desafios econômicos globais e exploraram possibilidades de maior integração entre Brasil e Índia. “Os líderes reforçaram a necessidade de avançar em uma agenda de cooperação multilateral e discutir estratégias de resistência às ações unilaterais que prejudicam o comércio internacional”, destacou nota do Planalto.
Visita de Lula à Índia e cooperação bilateral
Durante o diálogo, Lula confirmou que realizará uma visita de Estado à Índia no início de 2026. Como preparação, o vice-presidente Geraldo Alckmin visitará Delhi em outubro para reuniões do Mecanismo de Monitoramento de Comércio. A missão contará com ministros e empresários brasileiros, com foco em áreas como comércio, defesa, energia, minerais críticos, saúde e inclusão digital.
Expansão do comércio e troca de informações financeiras
Lula e Modi também trocaram informações sobre o sistema de pagamento brasileiro, o Pix, e o sistema indiano, o UPI, com o objetivo de ampliar a integração financeira. Ambos discutiram a meta de elevar o comércio bilateral para mais de US$ 20 bilhões até 2030, incluindo a ampliação do acordo entre Mercosul e Índia.
Contexto internacional e impacto na relação Brasil-Índia
O anúncio das tarifas pelos Estados Unidos foi divulgado pela Casa Branca na quarta-feira, logo após negociações entre EUA e Rússia na crise na Ucrânia não avançarem. Brasil e Índia, ambos fundadores do Brics ao lado de China e Rússia, tentam consolidar uma postura coordenada contra as sanções americanas. Atualmente, a balança comercial favorece a Índia, com superávit de US$ 45,7 bilhões com os EUA em 2024.
Trump foi crítico à Índia na semana passada, alegando que o país possui tarifas elevadas e compra petróleo russo, alimentando a guerra na Ucrânia. Em resposta, o governo indiano afirmou que as sanções americanas são uma violação ao sistema multilateral de comércio e que continuará mantendo sua estratégia de compras energéticas com a Rússia, apesar das pressões internacionais.
Perspectivas futuras e fortalecimento diplomático
A relação entre Lula e Modi é marcada por uma boa interação diplomática, tendo sido reforçada após a cúpula do Brics no Rio de Janeiro em julho, quando o presidente brasileiro recebeu o líder indiano no Palácio da Alvorada para assinarem acordos bilaterais. Ambos líderes concordaram em continuar buscando formas de ampliar a cooperação econômica e de fortalecer a posição de seus países diante das pressões externas.
Segundo analistas, o diálogo entre Brasil e Índia revela uma estratégia conjunta de resistência às tarifas e sanções de Washington, reforçando a importância da aliança no quadro do Brics como uma alternativa ao domínio econômico estadunidense.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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