Lobo consolida influência na CVM com apoio político e conflitos internos

O advogado Nelson Lobo, indicado para atuar como presidente da CVM, conseguiu superar obstáculos internos e políticos para consolidar sua influência no órgão regulador, segundo fontes ouvidas pelo jornal. Com apoio de caciques do Centrão, do empresariado e do ministro Luiz Fux, do STF, Lobo tem enfrentado resistência dentro da própria comissão, especialmente devido a seu histórico de decisões controversas.

Consolidação com o apoio de aliados políticos e judiciário

Apesar de ter um nome com pouca tração dentro do ministério e de manter uma relação conflituosa com os técnicos da CVM, Lobo vem consolidando sua posição por meio de apoios estratégicos. De acordo com interlocutores próximos, a nomeação dele foi favorecida por interesses políticos ligados à tentativa do governo de garantir apoio ao nome de Jorge Messias ao STF. O avanço do advogado ocorreu mesmo após questionamentos e resistência da equipe técnica do órgão, que considerava suas posições controversas.

Disputa de nomes e influência no órgão regulador

Diante de uma nomeação que foi vista como improvável, Lobo intensificou sua agenda de visitas a gabinetes e escritórios em Brasília e São Paulo para ampliar seu respaldo. Segundo informações da coluna, seu nome foi alvo de disputa interna, com favoritos como Ferdinando Lunardi, do escritório E. Munhoz Advogados, e nomes já ligados ao órgão, como Marina Copola e André Pitta. Mesmo assim, ele persistiu na tentativa de ser efetivado como presidente da CVM, movimento que se mostrou vitorioso.

Decisões polêmicas e relação com o órgão técnico

O percurso de Lobo no comando da CVM não é isento de controvérsias. Sua relação com os técnicos se deteriorou após decisões que impactaram operações relevantes, como a tentativa de barrar uma oferta pública de aquisições (OPA) da Ambipar. Inicialmente, a área técnica sugerira a realização da operação para proteger minoritários, mas Lobo, assumindo a presidência interina, respondeu com uma manobra que dificultou a operação, alegando que sua decisão tinha peso de voto por dois.

Segundo fontes, essa postura gerou um rompimento com os técnicos da CVM, que consideram suas posições muitas vezes controversas e politicamente motivadas. Lobo também foi criticado por sua atuação na investigação envolvendo a Ambipar, que inclui o caso Master, considerado de alta complexidade e relevância para o mercado.

Contexto político e impactos na instituição

De acordo com interlocutores, a nomeação de Lobo foi influenciada por questões políticas, incluindo o desejo do governo de garantir apoio parlamentar para emplacar nomes importantes no STF. Fez parte do entendimento político que o comando da CVM ajudaria na estratégia de fortalecer alianças no cenário eleitoral de 2024. As ações de Lobo, portanto, se inserem em um contexto maior de disputas pelo controle do órgão regulador.

Ao consolidar sua posição, Lobo demonstra que, apesar das resistências internas e dos conflitos com técnicos experientes, conseguiu manter suporte político e judiciário suficiente para estabelecer sua influência no órgão. Essa situação sinaliza um período de maior polarização e disputas de poder dentro da CVM.

Para mais detalhes, acesse a matéria completa.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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