Lares negros representam mais da metade do gasto com bens de consumo de giro rápido

Os lares negros são responsáveis por mais da metade dos gastos brasileiros com bens de consumo de giro rápido — categoria que inclui alimentos perecíveis, bebidas, produtos de higiene, limpeza e medicamentos — totalizando cerca de R$ 625 bilhões por ano, de acordo com a 6ª edição da pesquisa Afroconsumo 2025, da NielsenIQ. A maioria dessa população enfrenta desafios significantes, como desigualdade salarial e baixa representatividade em cargos de liderança, onde apenas 33% ocupam posições gerenciais, aponta Beatriz Marques, executiva de Contas Sênior da NielsenIQ.

Desafios e potencial de consumo do público negro

Apesar de os lares negros responderem por mais da metade dos gastos e apresentarem desempenho superior em categorias como limpeza, bebidas e higiene & beleza, a oferta de produtos voltados às suas necessidades específicas ainda é limitada. No segmento de cuidados pessoais, por exemplo, categorias como shampoo e pós-shampoo são relevantes, mas continuam com baixa representatividade, destaca Marques.

Contexto socioeconômico e perfil de consumo

Entre as famílias ouvidas pela pesquisa, 51% se enquadram na faixa de renda média e 23% na baixa. Os dados revelam que 20% dos responsáveis pelas compras possuem ensino fundamental incompleto — 48% a mais que os lares não negros — e 24% são autônomos, percentual superior ao de outros grupos. Além disso, os orçamentos familiares também sofrem impacto da alta dos preços, mas essa retração foi menor entre lares negros, com uma queda de 7,2% em volume de vendas em higiene & beleza, contra 15,2% nos demais.

Representatividade e mercado de produtos especializados

Segundo a pesquisa, há um reconhecimento de que as empresas começam a entender o potencial do mercado negro, embora ainda seja insuficiente. Dos negros entrevistados, 60% afirmaram que compram produtos especializados, mas enfrentam dificuldades para encontrá-los, sendo que 43,9% os encontram apenas ocasionalmente. A executiva da NielsenIQ destaca que há um movimento crescente de aumento de representatividade nas ações publicitárias, desenvolvimento de produtos e vagas afirmativas, refletindo uma mudança estratégica para as marcas.

O impacto da representatividade na preferência do consumidor

A pesquisa mostra que a maior presença de marcas que apoiam causas raciais se reflete na preferência do consumidor, com 41,4% indicando que gastariam mais com marcas específicas para pessoas negras, desde que o valor não fosse excessivo. Além disso, a maior representatividade impacta positivamente na percepção das marcas, fortalecendo a conexão com um mercado que é cada vez mais estratégico.

Iniciativas e perspectivas futuras

Idealizado pelo grupo de trabalho pela equidade racial na NielsenIQ, o estudo visa contribuir para a inclusão de pessoas negras na publicidade e no consumo, destinando toda a receita arrecadada para ONGs que promovem oportunidades de desenvolvimento para essa população. Na edição anterior, foram arrecadados mais de R$ 70 mil, destinados às ONGs Casa da Vila e Fundo Baobá.

Segundo Marques, as empresas já percebem o potencial de crescimento desse segmento, e a tendência é de aumento na representatividade e na oferta de produtos especializados. Ela afirma que esse é um movimento estratégico e fundamental para fortalecer a conexão de marcas com uma sociedade mais diversa e inclusiva.

Para mais detalhes, acesse a publicação original na Fonte original.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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