Jornalismo em crise: foco na humanização em tempos de IA



Jornalismo em crise: foco na humanização em tempos de IA


Na era da inteligência artificial (IA), veículos de comunicação mundialmente reconhecidos apostam na valorização do elemento humano para enfrentar os desafios criados pelas ferramentas de IA generativa. O relatório de tendências do Reuters Institute para 2026 destaca uma mudança significativa na estratégia de conteúdo, priorizando narrativas originais e mais humanas.

Estratégias para 2026: foco em histórias humanas e análise

De acordo com o estudo, 280 líderes da indústria de mídia, incluindo editores-chefes, CEOs e chefes de inovação, de 51 países diferentes, apontam que será essencial dar maior destaque às reportagens “na rua” (+91), análises e contextualizações (+82), além de esforços de construção de comunidade através de eventos ao vivo (+75). A valorização de histórias humanas (+72) e o fortalecimento de ações de verificação de fatos (+63) também aparecem na lista de prioridades, enquanto conteúdos de serviço (-42) e matérias “evergreen” (-32), como guias de viagem ou análises de produtos, tendem a perder espaço.

Reação à expansão das IA generativas e impacto no tráfego digital

Segundo o estudo, a indústria do jornalismo vê a necessidade de apostar na originalidade, mesmo que isso signifique reduzir a quantidade de notícias gerais (-38). Essa mudança é uma resposta às ferramentas de IA, como o Modo IA do Google e o Perplexity, que utilizam conteúdos da web para responder perguntas, impactando o tráfego de buscas tradicional.

Declínio do tráfego de buscas e novas estratégias

Pesquisa da Similarweb, publicada pela The Economist, revela que o tráfego de buscas globais caiu 15% entre junho de 2025 e o mesmo período de 2024. Além disso, a proporção de pesquisas que não clicaram em links originais aumentou de 56% para 69%. Grandes veículos nos Estados Unidos, como Business Insider, Washington Post e HuffPost, enfrentaram uma queda de até 55% no tráfego orgânico de buscas entre 2022 e 2025, enquanto apenas 1% dos usuários do Google clicam em links de resumos de IA, segundo o Pew Research Center.

Perspectivas para o futuro

Embora o Reuters Institute não tenha previsto um cenário de “Google Zero”, os dados indicam uma tendência preocupante: os líderes de mídia projetam uma redução de 43% no tráfego proveniente de buscas nos próximos três anos, com uma expectativa de perda acima de 75% para um quinto deles. Como alternativa, o foco será entender e explorar a distribuição por meio de chatbots de IA (+61), enquanto o investimento em técnicas tradicionais de SEO sofrerá uma diminuição de interesse (-25).

Inovação em formatos e plataformas digitais

Para escapar do impacto negativo da IA, o setor aposta em formatos que resistem às ferramentas de IA, como vídeos (79%) e áudio (71%), que vêm ganhando cada vez mais destaque. Christof Zimmer, diretor de produtos da revista alemã Der Spiegel, destaca: “Se criar texto não custa nada, isso provoca uma concorrência brutal”.

Além disso, as redes sociais continuam sendo um foco importante de investimento. Para 2026, as plataformas de vídeo, especialmente YouTube (+74 pontos percentuais) e TikTok (+56), lideram as prioridades, enquanto o esforço será reduzido em plataformas como X (-52), Facebook (-23) e BlueSky (-11). Em contrapartida, o LinkedIn (+40) se consolida como uma fonte valiosa de tráfego para publicações especializadas em negócios.

Segundo o estudo, o contexto aponta para uma fase de transformação no jornalismo, que busca equilibrar inovação tecnológica e a preservação da narrativa humana. A reportagem completa está disponível em O Globo.


Com informações do Jornal Diário do Povo

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