Japão inicia missão de mineração de terras raras em profundidade no Pacífico

Um navio de pesquisa japonês partiu nesta segunda-feira (9) para uma missão inédita de extração de terras raras a cerca de 6.000 metros de profundidade, na tentativa de diversificar as fontes desses minerais estratégicos e diminuir a dependência do Japão em relação à China. A operação acontece em um momento de crescente tensão diplomática entre os dois países.

Operação no oceano Pacífico busca recursos estratégicos

O navio de perfuração científica Chikyu deixou o porto de Shimizu às 9h (21h de domingo, horário de Brasília) e segue rumo à ilha de Minami Torishima, no Pacífico, onde águas de alta potencialidade para minerais estratégicos estão sendo exploradas. Segundo especialistas, esta é a primeira missão mundial de exploração de minerais em profundidades tão extremas, considerando as terras raras.

Tensões entre Japão e China impulsionam esforços de independência

A operação ocorre em um contexto de acalorado conflito diplomático, marcado por acusações mútuas e ações de contenção. Pequim, maior fornecedora global de terras raras, tem pressionado Tóquio desde que a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sugeriu que o país poderia responder militarmente a uma possível agressão chinesa contra Taiwan.

China mantém postura de retaliação

China considera Taiwan, com governo autônomo, parte de seu território e já afirmou que pode retomar a ilha inclusive por força, se necessário. Ao mesmo tempo, tem utilizado sua posição dominante no mercado de terras raras como instrumento de influência na arena internacional, estratégia já aplicada na guerra comercial com os Estados Unidos durante o governo de Donald Trump.

Impacto na economia e na segurança do Japão

Shoichi Ishii, diretor de programa do governo japonês, destacou a importância da missão para a segurança econômica do país. “Se o Japão conseguir extrair terras raras de modo contínuo na região de Minami Torishima, garantirá sua cadeia de suprimentos para setores essenciais, como tecnologia e defesa”, afirmou.

As terras raras, um grupo de 17 metais de difícil extração, são componentes críticos na fabricação de veículos elétricos, dispositivos eletrônicos, turbinas eólicas e sistemas militares, incluindo mísseis. Segundo a Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia Marítimo-Terrestre, essa é a primeira iniciativa mundial focada na exploração de minerais em profundidades extremas.

Perspectivas e desafios futuros

Especialistas acreditam que, se bem-sucedida, a operação pode fortalecer a autossuficiência do Japão em minerais estratégicos e reduzir sua vulnerabilidade às restrições de exportação impostas pela China, que já teria adiado importações de produtos japoneses e restringido o abastecimento de terras raras ao país.

Para Takahiro Kamisuna, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, o êxito da missão terá impacto direto na segurança econômica do país e na sua capacidade de manter a independência tecnológica frente às pressões internacionais.

Mais detalhes da operação e possíveis passos seguintes devem ser divulgados pelo governo japonês nas próximas semanas.

Fonte: O Globo

Com informações do Jornal Diário do Povo

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