Investimentos na Venezuela sobem após anúncio de licenças dos EUA
Nos Estados Unidos, as consultas de empresários interessados em investir na Venezuela se multiplicaram nos últimos dias, conforme confirmou ao GLOBO o ex-diplomata Ricardo Zuñiga. A expectativa é de que o governo de Donald Trump libere licenças para operar no país venezuelano nas próximas semanas, estimulando interesses diversos, principalmente de empresas próximas ao governo americano.
Perspectivas de licenças e expectativas do mercado
Segundo Zuñiga, que foi número 2 na divisão das Américas do Departamento de Estado durante o governo Biden e atualmente atua como consultor privado, ainda não há detalhes sobre o tipo de licenças que serão aprovadas. “Acreditamos que serão individuais, para favorecer primeiro empresas próximas do governo americano”, afirmou. A liberação dessas autorizações é vista como um passo importante para reconstruir a indústria venezuelana, estimada em um prazo de três a quatro anos e um custo de cerca de US$ 60 bilhões.
Reticências e cautela entre os investidores
Zuñiga destacou que muitas empresas querem entender o contexto político e jurídico antes de avançar. “A maioria das empresas sérias prefere esperar por certezas”, afirmou. Ele também ressaltou o impacto que a estabilidade jurídica terá na recuperação do setor econômico na Venezuela.
Quem são os principais interessados
Entre os interessados, além de setores petrolíferos, estão credores da dívida venezuelana, que estimam uma dívida externa de aproximadamente US$ 200 bilhões, e empresários que venceram arbitragens internacionais contra o regime chavista. Zuñiga também comentou sobre a influência de figuras políticas venezuelanas, como a presidente interina Delcy Rodríguez, considerada uma pessoa-chave dentro do chavismo, e as influências externas, como o papel do Catar, que mantém reuniões estratégicas com líderes venezuelanos e busca interesses econômicos e políticos na região.
Contexto político e geopolítico
O ex-diplomata reforçou que, apesar das mudanças de lideranças na Venezuela, o regime político permanece, com o chavismo mantendo o poder. A oposição radical, por sua vez, permanece escanteada. Zuñiga também mencionou o interesse do Catar em ser um sócio confiável para os Estados Unidos na Venezuela, reforçando a presença de interesses geopolíticos na região.
Implicações e próximos passos
A liberação das licenças deve impulsionar um fluxo de investimentos nos próximos meses, possibilitando a retomada de setores estratégicos e a reativação da indústria venezuelana. O mercado aguarda com expectativa a confirmação oficial, enquanto atores locais e internacionais monitoram o cenário de perto.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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