Investigação contra Powell reacende debate sobre autonomia do Fed
A investigação criminal contra Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, foi destaque nesta semana e trouxe à tona uma nova dimensão do embate político envolvendo o banco central dos Estados Unidos. A movimentação, que inclui uma intimação judicial, gerou reações no mercado financeiro e reacendeu o debate sobre a independência do Fed.
Respostas do mercado e análise dos especialistas
Apesar das bolsas norte-americanas abrirem em queda, os índices chegaram a fechar em alta, com o Dow Jones subindo 0,17%, aos 49.590,20 pontos, e o S&P 500 avançando 0,16%, para 6.977,31 pontos. O Nasdaq teve alta de 0,26%, aos 23.733,90 pontos. O índice do dólar (DXY) caiu 0,37%, enquanto o ouro atingiu recorde de US$ 4.627, segundo informações do mercado financeiro.
Rafael Costa, fundador da Cash Wise Investimentos, afirmou que os movimentos no mercado foram tímidos porque o episódio de conflito não trouxe novidades profundas. “O mercado já precificava uma possível substituição de Powell por alguém mais alinhado ao interesse de Trump”, comentou.
Contexto político e sua influência sobre a política monetária
De acordo com Costa, a investigação não deve resultar na suspensão de Powell neste momento, já que seu mandato termina em maio. No entanto, o episódio reacende o debate sobre a autonomia do Fed e a influência política na condução da política monetária.
Max Bohm, estrategista de ações da Nomos, explicou que a reação do mercado foi mais influenciada pela tensão geopolítica, especialmente com o Irã, do que pelo episódio envolvendo Powell. “O dólar caiu contra outras moedas e o ouro subiu mais forte por causa dessas tensões”, ressaltou.
Interferência política e riscos de interferência no banco central
Para o economista Álvaro Bandeira, trata-se de uma nova forma de interferência do governo no Fed, que até então se limitava às críticas sobre as taxas de juros. “Agora, há uma investida maior, com uma intimação judicial que pode afetar a autonomia do banco central”, alertou.
Ele também destacou que alguns parlamentares republicanos questionam a iniciativa, o que pode prejudicar a aprovação de indicações de Trump para cargos no Fed. “Isso representa um dilema: perder apoio político ou colocar em risco a independência do banco central”, explicou Bandeira.
Implicações futuras e clima de incerteza
Segundo Bandeira, o movimento de Trump se assemelha ao de seu primeiro mandato, embora tenha tido impacto menor na época. Com a escalada recente, o mercado se mostra mais sensível às declarações incisivas do ex-presidente, o que gera incerteza sobre o rumo das taxas de juros e as projeções econômicas para os próximos anos.
O episódio reacende o debate sobre as intervenções políticas no banco central e a credibilidade do sistema de autonomia do Fed, cujos desdobramentos ainda serão acompanhados pelos mercados e pelos formuladores de política econômica.
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Com informações do Jornal Diário do Povo
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