Inflação de alimentos desacelera em 2025, mas preços continuam elevados
A inflação de alimentos no Brasil mostrou uma melhora em 2025, após um aumento de 7% em 2024, encerrando o ano com alta de 2,9%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados na sexta-feira (9). Apesar de a taxa ter desacelerado, os custos com a alimentação continuam pressionados e refletem mudanças na produção e no consumo do setor.
Variações nos preços de alimentos essenciais em 2025
Arroz e feijão
O preço do arroz caiu em 2025, impulsionado por aumento na produção graças a um clima mais favorável e expansão da área plantada, relata Lucilio Alves, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A safra 2024/25 cresceu 20,6% em relação à anterior, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No entanto, Alves alerta que a comercialização futura pode registrar queda de preços no campo, com uma baixa de 46% na safra anterior, o que pode limitar altas nos supermercados.
Já o feijão preto terá uma produção maior, com aumento de 14%, enquanto o feijão carioca teve uma redução de 10% na safra, mas ambos apresentaram preços relativamente equilibrados. O excesso de oferta de feijão preto causou forte queda nos preços ao longo de 2024 e início de 2025, especialmente no Paraná e Mato Grosso.
Ovos e frango
Os preços dos ovos dispararam no início de 2025, sobretudo devido ao aumento do custo do milho, calor intenso e maior demanda. Em fevereiro, o valor no atacado chegou a subir 40%. Apesar do arrefecimento, os preços ao consumidor fecharam o ano com alta de 4%, uma recuperação após uma queda de 4,5% em 2024.
O frango também continuou pressionado, com inflação de 6% em 2025, após 10,3% em 2024. A preferência por proteínas mais acessíveis, como o frango e ovos, deve persistir em 2026, sustentada pelo baixo poder de compra da população, juros elevados e nível alto de endividamento das famílias, afirma Fernando Iglesias, do Safras & Mercados.
Perspectivas para 2026
Embora alguns alimentos tenham registrado queda de preços, a média geral da inflação de alimentos permanece elevada. A expectativa, segundo análise de especialistas, é que o preço da carne bovina volte a subir neste ano, impulsionado pelo aumento na demanda interna e pelo movimento dos pecuaristas de priorizar a reprodução de vacas devido ao recorde de abate de fêmeas em 2025, informa Alcides Torres, CEO da Scot Consultoria.
Além disso, torres avalia que a queda na oferta de carne devido a limites nas exportações da China e às condições de seca não deve gerar uma redução forte nos preços, que tenderão a subir devido à maior procura por proteína animal, especialmente em períodos de eventos eleitorais, Copa do Mundo e isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
Impactos no consumo e na produção
Dados do IBGE indicam que, em 2025, o Brasil atingiu um recorde de abate de fêmeas, o que deve influenciar na produção de carne no próximo ano. O movimento de priorizar a reprodução das vacas deve elevar os custos e manter os preços em patamares altos. Já o arroz e o feijão, após anos de oscilações, mostram sinais de estabilização, com tendência de moderação nos preços ao consumidor devido à maior oferta, mas com possibilidade de pequenas altas em breve, destaca Alves.
Especialistas prevêem que o cenário de alta de preços deve perdurar, impulsionado por fatores tanto internos quanto externos, como condições climáticas e políticas, reforçando a necessidade de atenção ao orçamento familiar neste ano.
Para mais detalhes, acesse a matéria completa em g1.globo.com.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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