Indústria brasileira desacelera em novembro e deve iniciar 2026 mais fraca

A indústria brasileira apresentou estabilidade em novembro, com produção industrial variando zero, indicando uma desaceleração do setor. Segundo o IBGE, na comparação com o mesmo período de 2024, houve queda de 1,2%. O resultado reforça a expectativa de início de 2026 mais fraco do que o começo de 2025, mas com perspectiva de melhora na segunda metade do próximo ano.

Impacto das taxas de juros e perspectivas econômicas

O principal fator para a perspectiva de desaceleração é o ciclo de corte dos juros que começa a impactar o setor, de acordo com o economista Alexandre Chaia, professor do Insper. Ele explica que as taxas praticadas hoje refletem expectativas futuras, especialmente para empréstimos de prazos mais longos, como de 36 a 48 meses, usados no capital de giro. Assim, a redução das taxas pode melhorar as condições de crédito e estimular investimentos.

Possível retirada da sobretaxa americana e suas implicações

Chaia também destaca a possibilidade de o governo dos Estados Unidos retirar a sobretaxa imposta às indústrias brasileiras, devido à pressão gerada pelo aumento de tarifas. Ele afirma que essa medida deve ocorrer em breve, dado o impacto sobre o custo de vida dos americanos e a instabilidade que provoca na relação comercial internacional.

Resiliência do setor industrial diante do tarifaço

Marcelo Azevedo, gerente de Análises Econômicas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), avalia que, apesar do impacto do tarifaço, o setor conseguiu reagir bem, ampliando suas exportações para outros mercados. Azevedo ressalta, no entanto, que essa crise gerou desorganização no comércio internacional e impulsionou medidas protecionistas adicionais que ainda estão em vigor.

Perspectivas para 2026

Para Azevedo, o desempenho de 2025 foi inicialmente positivo, com setembro a dezembro apresentando crescimento, impulsionado pelo bom momento de 2024 e pelo crescimento na indústria extrativa, como petróleo e mineração. Mesmo assim, o início do próximo ano deve ser mais fraco, mas a expectativa é de recuperação até o fim de 2026, apoiada pela trajetória da taxa Selic.

Necessidade de planejamento estratégico na indústria brasileira

Chaia defende que o Brasil precisa desenvolver um projeto de longo prazo para sua indústria, focando em segmentos competitivos, como o setor agroindustrial e o de aviação, representado pela Embraer. Ele destaca que a construção de políticas estatais consistentes é essencial para promover crescimento sustentável e evitar choques como o tarifão americano.

Desafios e ações futuras

Segundo Azevedo, políticas voltadas para segmentos já competitivos podem gerar bons resultados, mas também é importante investir em novas frentes e políticas mais amplas de aumento de competitividade. Assim, o setor industrial do país poderá superar oscilações como as provocadas pelas medidas protecionistas e desenvolver uma base sólida para crescimento contínuo.

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Com informações do Jornal Diário do Povo

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