Impacto do tarifão dos EUA leva queda de preços de manga e uva nas feiras livres

Na véspera da entrada em vigor da tarifa adicional de 40% imposta pelos Estados Unidos ao Brasil — que, somada à atual de 10%, eleva a taxação total para 50% — as feiras livres já observam alterações nos preços de produtos agrícolas, especialmente frutas como manga e uva. Essa movimentação é atribuída, em parte, ao impacto do tarifão anunciado recentemente pelo governo norte-americano.

Tarifa de Trump e queda de preços nas frutas brasileiras

De acordo com o feirante Jefferson Batista, de 39 anos, a imposição tarifária é a principal responsável pela redução nos preços. Ele relata que as maiores baixas ocorreram na uva e na manga. “A uva, que há três semanas eu comprava por cerca de R$ 60 a caixa, comprei por R$ 35 na semana passada”, afirma, em feira no Rio de Janeiro. “A manga palmer, que custava R$ 100 a uma caixa com 30 unidades, agora está por R$ 50.”

Batista acredita que o efeito do tarifão já influencia os valores sem que seja possível estabelecer uma relação definitiva. “A gente até está acostumado com alguma queda nessa época do frio, mas não pode ser só por causa da safra. É a tarifa do Trump também”, conclui.

Influências adicionais e demandas do governo

Segundo o economista André Braz, coordenador dos Índices de Preços do FGV Ibre, embora a percepção seja de que o tarifão provoca queda de preços, é preciso considerar outros fatores. “Alguns itens, como a uva, já vinham ficando mais baratos antes mesmo do anúncio das tarifas, devido à safra em plena fase de supersafra no Vale do São Francisco (BA/PE).”

Apesar disso, a reação do mercado após o anúncio de aumento tarifário, feito em 9 de julho, foi sentida especialmente na manga, cuja cotação voltou a cair após estar em alta no início do mês. “Ela teve alta de 15% no começo de julho, mas, após a notícia do tarifão, a tendência virou e o preço despencou 7,2% ao final do mês”, explica Braz.

Preços de frutas e efeito na exportação brasileira

Para Braz, há uma relação complexa entre safra e tarifas. “Quando o produto está na safra, como manga e uva, é difícil afirmar que a queda de preço é exclusiva do tarifão. Acredito que ambos os fatores estejam influenciando, mas não há como medir com precisão o peso de cada um”, pontua.

Apesar da redução dos preços ao consumidor, o economista ressalta que a alta tarifária pode aumentar a concentração das exportações brasileiras em produtos primários, algo que pode acentuar vulnerabilidades no setor agrícola do país. Segundo notícias recentes, o governo avalia pedir ao setor que indique produtos excedentes para possíveis compras governamentais, na tentativa de suavizar o impacto sobre os produtores.

Enquanto isso, feirantes como Batista celebram a baixa nos preços, vendo a manga como campeã de redução. “A manga está vendendo bem, e até conseguimos fazer promoções, quase agradecendo ao Trump”, brinca Batista. Já Washington Lima, de 50 anos, relata que, com preços mais baixos, consegue vender três mangas por R$ 10, após uma semana em que sua cotação chegou a ser mais elevada.

Especialistas alertam que a percepção da queda de preços ainda não é definitiva e que o mercado continuará reagindo às condições de safra e às medidas tarifárias. A febre por alimentos mais baratos deve seguir nos próximos meses, influenciada por fatores internos e externos ao Brasil.

Com informações do Jornal Diário do Povo

Share this content:

Publicar comentário