Ibovespa atinge recorde com valorização de 33,9% em 2025

O Ibovespa, principal índice de ações da B3, subiu 1,56% nesta quarta-feira, atingindo 161.092 pontos e consolidando-se em nível recorde. Com uma valorização de 33,9% no ano, o movimento reflete o apetite dos investidores estrangeiros pelo Brasil, mesmo diante do alto patamar da Selic, que atualmente está em 15% ao ano.

Fatores que impulsionam a alta do Ibovespa

O bom desempenho da Bolsa brasileira é atribuído principalmente ao cenário global, que apresenta valorização similar em outros mercados emergentes. Analistas destacam que a antecipação de uma eventual redução da taxa básica de juros americana, o Fed, em 2026, aumenta a atratividade das ações brasileiras em relação a aplicações de menor risco.

Contexto internacional e juros

Desde setembro, a taxa básica dos EUA vem caindo, o que reforça a busca por investimentos mais rentáveis em mercados emergentes. Segundo Rodrigo Santoro, superintendente de renda variável da Bradesco Asset, “os investidores estão diversificando suas carteiras, buscando alternativas ao dólar, que tem se enfraquecido devido às ações do governo Trump.”

A taxa de câmbio brasileira também contribui para esse ambiente favorável. A moeda recuou 0,52%, fechando a R$ 5,33 nesta quarta, levando a uma alta de 55% do Ibovespa em dólares neste ano, apesar do cenário doméstico de juros elevados.

Impacto da política e expectativas eleitorais

Outro fator que reforça as perspectivas otimistas do mercado é a expectativa de mudança no quadro político. Uma pesquisa recente apontou redução na vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em possíveis disputas eleitorais, o que diminui o prêmio de risco e favorece a Bolsa.

Recuperação de investimentos estrangeiros e cenário doméstico

Após uma saída de R$ 32 bilhões em recursos de estrangeiros em 2024, o mercado começa a registrar entrada de aproximadamente R$ 27,3 bilhões neste ano. Especialistas avaliam que a recuperação abre espaço para maior confiança dos investidores internacionais.

Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central, analisa que a melhora na entrada de capitais ocorre mesmo com a taxa Selic em seu maior nível em duas décadas. “A expectativa de queda da Selic em 2026 tem impulsionado o mercado acionário”, afirma.

Perspectivas futuras

Com a expectativa de uma possível redução na taxa de juros americana e na brasileira, analistas acreditam que o mercado de ações deve continuar em forte tendência de alta. A expectativa é que o movimento de antecipação se mantenha até a decisão do Banco Central, prevista para o início do próximo ano.

Segundo Daniel Gewehr, estrategista-chefe do Itaú BBA, “a combinação de fatores globais e políticos cria condições favoráveis para a continuidade do ciclo de valorização do Ibovespa”.

Veja também: Recorde da Bolsa e o apetite dos investidores estrangeiros pelo Brasil

Com informações do Jornal Diário do Povo

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