Holanda permite retomar exportação de chips da Nexperia, sinalizando avanço na normalização global

A Holanda está prestes a revogar a medida que dava poderes ao governo para atuar em decisões importantes da fabricante chinesa de semicondutores Nexperia, instalada na Holanda. A decisão ocorre após a China retomar a exportação de chips produzidos na fábrica holandesa, sinalizando uma possível normalização no mercado de semicondutores global.

Reversão na intervenção governamental na Holanda

Segundo fontes próximas ao setor, o governo holandês está disposto a arquivar a autoridade que lhe foi concedida em setembro pelo ministro da Economia Vincent Karremans, que permitia alterar decisões corporativas da Nexperia. A autorização poderia ser revogada já na próxima semana, caso os fluxos de chips sejam confirmados. A medida é vista como uma resposta aos esforços para evitar o impacto na produção automotiva mundial.

Autoridades de várias montadoras relataram que os embarques de semicondutores da Nexperia na China foram retomados após a liberação de uma licença de exportação emitida pela China nesta semana. Philipp Von Hirschheydt, CEO da Aumovio SE — fornecedor de peças para empresas como Volkswagen, Stellantis e BMW — afirmou que a suspensão do embargo mais amplo da China foi confirmada nesta sexta-feira.

Impacto nas ações e no setor automotivo

Nos minutos finais do pregão em Xangai, as ações da Wingtech Technology, controladora da Nexperia, dispararam quase 10%. Montadoras europeias também reagiram positivamente: as ações da Volkswagen subiram até 2,7%, BMW até 2,5%, além de ganhos na Mercedes-Benz e Stellantis. A Honda Motor anunciou a retomada dos embarques de chips na China e espera reativar sua produção na semana de 21 de novembro.

A fabricante alemã ZF Friedrichshafen, especializada em autopeças, também se prepara para possíveis interrupções na produção, incluindo suspensões temporárias de trabalhadores, caso as entregas de chips continuem incertas. Ainda assim, fontes dizem que, se o fluxo de fornecimento se normalizar, as maiores dificuldades serão temporárias.

Perspectivas de normalização no mercado de semicondutores

As tensões entre Estados Unidos, China e Europa têm impacto direto na cadeia de suprimentos de semicondutores, essenciais para a indústria automotiva. Em outubro, China e EUA assinaram um acordo comercial após meses de escalada de tensões, o que aumenta as expectativas de retomada gradual da produção e comércio de chips pelo mundo.

O setor automotivo brasileiro também acompanha com atenção essa situação. Em novembro, o governo chinês anunciou abertura de canais de diálogo com o Brasil para evitar desabastecimento de chips utilizados na fabricação de veículos flex, uma medida que reforça o esforço internacional de estabilizar o fluxo de componentes estratégicos.

Contexto e possíveis desdobramentos

As ações da Wingtech em Xangai refletiram o otimismo do mercado, mas especialistas alertam que a situação ainda é incerta. Gostas, como as da Volkswagen e BMW, reagiram positivamente às notícias de normalização, porém permanecem atentos a possíveis interrupções nas próximas semanas. A intervenção do governo holandês, que permitia a suspensão ou realocação da unidade chinesa, foi considerada uma medida excepcional, justificada pela preocupação com a segurança do fornecimento e alegações de uso indevido de recursos por Zhang Xuezheng, fundador da Wingtech, que atualmente busca sua reintegração como CEO da Nexperia.

Com a possibilidade de revogação da intervenção, analistas avaliam que o mercado de semicondutores deve passar por um período de transição, com expectativas de estabilidade nas próximas semanas se os fluxos de exportação forem mantidos. A continuidade desse processo será essencial para reduzir incertezas e evitar impactos na produção automotiva global.

Fonte: O Globo

Com informações do Jornal Diário do Povo

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