Haddad defende Banco Central na crise do Banco Master e alerta para risco de maior fraude bancária

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou nesta quarta-feira (14) o respaldo da pasta ao Banco Central (BC) na liquidificação do Banco Master, considerado por ele uma das maiores fraudes do país. Haddad afirmou que o caso exige cautela, mas reforçou a necessidade de defender o interesse público na investigação, que envolve recursos públicos e privados.

Defesa do Banco Central na crise do Banco Master

Haddad declarou que tem dado “todo o respaldo institucional” ao BC na condução do processo de liquidação do Banco Master, que enfrenta suspeitas de fraude financeira envolvendo operações em fundos de investimentos e um esquema ilícito que pode ser a maior fraude bancária do Brasil. “O caso inspira muito cuidado, mas podemos estar diante de uma das maiores fraudes do país”, afirmou, reforçando que há um trabalho conjunto entre a Fazenda e a autoridade monetária.

Escândalo e números da investigação

Segundo o ministro, os números que envolvem o caso reforçam a gravidade da situação. A Polícia Federal investiga fraudes em operações financeiras de aproximadamente R$ 12,2 bilhões entre o BRB e o Banco Master, além de transações suspeitas em fundos de investimentos, como um fundo da Reag Investimentos, que recebeu R$ 450 milhões e multiplicou seu patrimônio em 30 mil vezes em 20 dias.

Com a liquidação do banco devido a uma “crise aguda de liquidez”, cerca de 1,6 milhão de investidores terão direito ao ressarcimento total de R$ 41 bilhões, valores que representam um terço do caixa do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que soma R$ 120 bilhões. O montante é considerado a maior operação desse tipo para uma instituição financeira liquidada pelo Banco Central.

Apoio institucional e casos correlatos

Haddad declarou que mantém contato diário com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e elogiou a atuação da instituição. “Tenho falado quase diariamente com o presidente do BC, dando todo o respaldo da Fazenda, e considero que o trabalho da autoridade monetária é técnico e robusto”, afirmou. Ele também destacou que o caso do Banco Master se conecta ao procedimento de investigação do Tribunal de Contas da União (TCU), que acertou uma inspeção nos documentos que embasaram a liquidação.

O ministro também ressaltou que o incidente envolve recursos públicos, mesmo considerando que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) seja uma entidade privada. Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal respondem por aproximadamente um terço dos recursos do fundo, fortalecendo a relevância do caso para o Estado.

Perspectivas e impactos fiscais

De acordo com Haddad, os cálculos preliminares indicam que o déficit primário do governo em 2025 deve fechar em torno de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB), dentro da meta de déficit zero. Quando se incluem despesas judiciais, como precatórios e indenizações por fraudes a aposentados, o déficit sobe para 0,48%. Mesmo assim, Haddad afirma que o governo mantém uma trajetória de ajuste fiscal consistente nos últimos anos, com números que refletem o compromisso de cumprir as metas fiscais.

O ministro também comentou sobre a piora na trajetória da dívida pública, atualmente em 95,4% do PIB, alertando que os juros altos têm peso maior do que os resultados primários na elevação da dívida. “Hoje, o que mais afeta a dívida pública é o juro real, e não o resultado fiscal”, afirmou.

Outros aspectos relacionados

Haddad ainda revelou que conversou com Vital do Rêgo, presidente do TCU, e que há possibilidade de uma investigação parlamentar ampla sobre o escândalo do Banco Master. Ele reforçou que as ações do BC são técnicas e que o episódio é de interesse público, sobretudo por envolver recursos de bancos públicos e privados.

Além disso, o ministro mencionou que o Banco de Brasília (BRB) prevê aporte do governo do Distrito Federal para tentar recuperar até R$ 12 bilhões em ativos vinculados ao banco liquidado e que o caso do Banco Master contribui para uma discussão mais ampla sobre crimes financeiros no país.

Para mais informações, acesse o site do Globo.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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