Fornecedor espanhol da Airbus acusado por sindicato de falhas na produção

Um fornecedor espanhol de componentes do Airbus foi alvo de acusações de problemas de qualidade e violações de normas de segurança pelos trabalhadores. Segundo uma carta enviada ao CEO Guillaume Faury, a Sofitec Aero, sediada em Sevilha, estaria falsificando datas e realizando reparos não autorizados em peças do modelo mais vendido da Airbus, o A320.

Acusações de práticas fraudulentas na fabricação

O sindicato espanhol UGT FICA afirmou que a empresa falsificou datas de produção para que as peças atendessem às especificações da Airbus, conforme revelou uma carta de 5 de dezembro obtida pela Bloomberg News. A denúncia aponta 10 desvios nas instalações da Sofitec, incluindo uso de tintas e selantes vencidos e reparos não autorizados em componentes de fibra de carbono.

“Essas irregularidades comprometem a segurança e a qualidade do produto final”, afirmou o sindicato. As condições de trabalho também chamaram a atenção de inspetores espanhóis, que verificaram temperaturas excessivas e o manejo inadequado de agentes cancerígenos na fábrica, de acordo com um relatório de dezembro de 2024, fornecido pelo sindicato à Bloomberg News. A Bloomberg não conseguiu verificar de forma independente a autenticidade do documento.

Resposta da Airbus às denúncias

A Airbus declarou que não poderia comentar especificamente as alegações do sindicato, mas afirmou manter um canal aberto com toda a cadeia de suprimentos. “Assim que a questão foi identificada por meio de nosso processo interno de qualidade, agimos para resolvê-la”, disse a fabricante em nota por e-mail.

Impacto na produção e inspeções em andamento

A fabricante revelou que encontrou alguns painéis fornecidos pela Sofitec que estavam fora das especificações, sendo muito espessos ou finos, o que levou a Airbus a reduzir suas metas de entregas para 2025. Mais de 600 aeronaves, incluindo algumas já em operação, precisarão passar por inspeções adicionais. A maioria dos componentes deverá estar em conformidade, conforme a própria Airbus informou.

Consequências para as condições de trabalho na Sofitec

Além dos problemas de qualidade, os inspetores espanhóis apontaram condições insalubres na fábrica, como temperaturas elevadas e exposição a agentes cancerígenos, em uma empresa que emprega cerca de 400 pessoas. O sindicato afirma ter feito várias denúncias formais e que processos legais estão em andamento, descrevendo as informações como “rigorosas e discretas”.

Repercussões e próximos passos

A reportagem destaca que as denúncias envolvem uma cadeia de produção de alta relevância para o setor aeroespacial mundial e que as buscas por melhorias na qualidade e segurança continuam, enquanto a Airbus busca garantir a conformidade das peças e mitiga riscos na linha de produção do A320.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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