Florestas e cidades unem forças na luta contra as mudanças climáticas
À medida que a COP30 se aproxima em Belém, líderes globais e locais reforçam a necessidade de unir estratégias de proteção florestal e desenvolvimento urbano na luta pelo clima. Essa integração é fundamental para cumprir as metas de redução de emissões e ampliar a resiliência às mudanças ambientais.
Por que integrar florestas e cidades na agenda climática
A tradicional separação entre ações de conservação de florestas e planejamento urbano é cada vez mais questionada, pois os dois sistemas estão interligados. Florestas funcionam como sumidouros de carbono, enquanto as cidades, responsáveis por cerca de 70% das emissões globais de gases de efeito estufa, continuam sendo amplas fontes de poluição e consumo energético.
Segundo especialistas, superar essa fragmentação permite um planejamento mais eficiente, um uso mais inteligente do financiamento climático e um monitoramento mais robusto das emissões ao longo de cadeias produtivas e territórios. Os recursos financeiros, atualmente, pouco chegam às mãos dos governos locais, dificultando ações integradas.
Acordos e avanços recentes na cooperação entre cidades e florestas
Na COP28, em Dubai, foi divulgada a primeira Declaração Conjunta sobre Urbanização e Mudanças Climáticas, ligando ações locais ao balanço global. Na COP29, eventos em Baku tiveram ainda maior adesão, com mais de 160 governos reforçando compromissos multissetoriais, incluindo mobilidade sustentável e soluções baseadas na natureza.
Além de declarações, bancos multilaterais de desenvolvimento anunciaram a ampliação do financiamento climático, para cerca de US$ 120 bilhões anuais até 2030, com foco em infraestrutura urbana com benefícios ambientais e sociais. Ainda assim, o peso das negociações nacionais prevalece, e as cidades permanecem marginalizadas.
Oportunidades concretas na COP30 para fortalecer a aliança entre florestas e cidades
1. Compromisso Floresta–Cidade
Estabelecer parcerias diretas entre grandes emissores metropolitanos e regiões florestais, especialmente em áreas tropicais, promovendo metas de redução de emissões urbanas por meio de transporte limpo, edificações sustentáveis e gestão de resíduos, em troca de proteção e restauração de florestas.
2. Financiamento dedicado
Criação de uma linha exclusiva no Fundo Verde para o setor municipal, destinando ao menos 20% dos recursos a projetos de integração urbano-florestal, com facilidades de acesso e critérios de inclusão social.
3. Orçamentos de carbono e uso do solo
Exigir que cidades com mais de um milhão de habitantes ou capitais apresentem esses instrumentos, traçando mapas de emissões e riscos, e vinculando as políticas urbanas às metas de conservação e a limitação do desmatamento.
4. Encontros e coordenação permanentes
Transformar o Encontro Ministerial sobre Urbanização e Clima em um órgão oficial da UNFCCC, com representação contínua de gestores locais, para facilitar a implementação de ações integradas.
5. Fortalecimento do financiamento
Utilizar os recursos de US$ 120 bilhões para fundos de investimentos que apoiem projetos duais de carbono e biodiversidade, promovendo incentivos ligados a metas verificadas de redução de emissões e conservação ecológica.
6. Mapeamento e monitoramento aprimorado
Implementar plataformas de dados abertas, integrando inventários de gases de efeito estufa e monitoramento por satélites, para acompanhar mudanças em tempo real, aumentar transparência e estimular investimentos confiáveis.
7. Gatilhos automáticos de financiamento
Atualizar a NAU com mecanismos automáticos que ativem desembolsos ao se atingir marcos, como transporte público elétrico completo ou áreas urbanas neutras em carbono, acelerando resultados e reduzindo riscos para investidores.
O impacto de integrar natureza e urbanização na luta climática
Combinar as ações de florestas e cidades é cientificamente e politicamente estratégico. Florestas contribuem para absorver uma fração significativa do CO₂, mas a expansão urbana, se não for sustentável, pode anular esses ganhos. Assim, suas ações devem ser alinhadas para conquistar a meta de limitar o aumento global da temperatura a 1,5°C.
Além do aspecto ambiental, há uma questão de governança. O crescimento transfronteiriço de redes urbanas e cadeias de suprimentos exige uma abordagem multilíngue e multissetorial, tornando a COP30 uma oportunidade única de consolidar governanças policêntricas, mais abertas e pragmáticas.
O presidente Lula, com compromissos históricos de acabar com o desmatamento ilegal até 2030 e revitalizar as cidades, tem potencial para liderar um modelo de governança ambiental global. Caminhões elétricos em São Paulo ou títulos verdes no Rio podem ilustrar como ações locais sustentam uma agenda global mais coesa.
Para isso, é vital que a COP30 integre a Nova Agenda Urbana ao regulamento da UNFCCC, facilite acesso a recursos, e vincule cada iniciativa urbana a benefícios e preservação florestal. Assim, a luta contra as mudanças climáticas passa a atuar de forma mais integrada, eficiente e transformadora.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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