Flávio Bolsonaro e Lula discutem salário mínimo, SUS, ensino integral e trocam ofensas
O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, participaram na noite desta sexta-feira (23) do debate da TV Globo. Os políticos disputam o segundo turno das eleições presidenciais, e este foi o último debate entre Flávio e Lula antes do dia da votação, no domingo (25).
Salário mínimo
Sorteada a região Sudeste, Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre a correção do salário mínimo em São Paulo e na região.
Na resposta, o candidato do PL afirmou que o atual governo seria responsável pela redução do poder de compra. “Ele joga a taxa de juro lá em cima e puxa a sua dívida junto. Lula, por que que você endividou o povo brasileiro desse jeito? Essa grande bola de neve continua enrolando o povo brasileiro”, disse Flávio Bolsonaro.
Em réplica, Lula reforçou que os governos do PT promoveram correção do salário mínimo acima da inflação. “Se não fosse o governo do PT, Lula e Dilma [Rousseff], se a gente não tivesse reajustado o salário acima da inflação, sabe o quanto seria o salário mínimo por conta do seu pai [Jair Bolsonaro] e do [Michel] Temer, que não aumentaram? Seria R$ 900”, disse o petista.
Lula questionou então o adversário sobre a proposta de tarifa zero nos ônibus aos finais de semana.
Flávio Bolsonaro se disse a favor da proposta, mas criticou a política tributária do atual governo, que, segundo o candidato, seria aumentada com a implantação da tarifa zero. “Agora, não adianta nada, Lula, o salário mínimo estar em 1.621 reais se você dá com uma mão e tira com os nove dedos.”
“Você implementou a carga tributária mais alta desse país na história. Até agora, com a reforma tributária, ninguém sabe quanto vai ser o valor do imposto de valor agregado, o IVA, que é o novo imposto que ele vai começar a cobrar a partir do ano que vem”, disse o candidato do PL.
Ao final, Flávio disse que reajustará o salário mínimo acima da inflação.
Sistema Único de Saúde (SUS)
Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre como pretende melhorar o Sistema Único de Saúde (SUS) se promete, se eleito, cortes de gastos. O petista afirmou que Claudio Lottenberg, cotado pelo senador como eventual ministro da Saúde, já se posicionou contra a aplicação de mais recursos no SUS. “Como é que você vai melhorar a saúde? É com o tesouraço?”, perguntou o presidente.
Flávio não respondeu sobre investimentos no SUS. Criticou as filas de atendimento e a aplicação dos recursos no SUS. O senador citou a espera por consultas com neuropediatras e fonoaudiólogos e a falta de medicamentos nas unidades básicas de saúde. Também afirmou que os cortes seriam na corrupção, na burocracia e nos impostos.
Na réplica, Lula afirmou que o adversário havia dado apenas “meia resposta” à sociedade e voltou a cobrar explicações sobre o financiamento do SUS. O presidente também criticou a gestão da pandemia no governo Jair Bolsonaro, acusou o ex-presidente de debochar das vítimas e afirmou que a atuação do SUS e de seus profissionais evitou mais mortes.
Após a cobrança, Flávio afirmou que em um eventual governo faria investimentos no SUS. “Eu vou manter, sim, vou investir no SUS, sim.” O senador voltou a criticar as filas, desta vez para cirurgias de câncer de tireoide, e anunciou um compromisso com o Instituto Nacional de Câncer (Inca).
Ensino integral
Lula questionou Flávio sobre as proposta para o ensino integral no Brasil.
Flávio respondeu dizendo que o petista zerou o orçamento federal para o ensino integral, e que buscará fazer, se eleito, “o que Lula não fez”. O candidato do PL então mudou de assunto, afirmando que o petista seria o responsável pelas bets no país.
“O atual presidente da República tem dois filhos que fizeram muito mal ao país: o Lulinha e o Tigrinho. Ele é o pai do Tigrinho, ele é o pai do Cassino online. Ele criou, e chegando perto da eleição, ele vai e cancela achando que vai enganar você, e ainda prejudicou o time de futebol, acabou com a segurança jurídica nesse país”, disse o candidato do PL.
Flávio então perguntou por que Lula teria zerado o orçamento no ensino integral.
Na réplica, Lula afirmou que as apostas foram criadas no governo Jair Bolsonaro. Lula destacou as medidas dos governos petistas para educação, ressaltando as gestões na pasta de Fernando Haddad e Camilo Santana. Lula prometeu, se reeleito, 100% de escolas integrais em todo o país. Prometeu também a universalização do Programa Pé-de-Meia, inclusive para universitários. O petista afirmou que o programa fez com que 66% dos estudantes continuassem na escola.
“Todo mundo sabe que nós encontramos 5.600 creches paralisadas, escolas em tempo integral e Institutos Federais paralisados. O ministro Camilo sabe o que ele teve que fazer pra reconstruir tudo isso por uma irresponsabilidade de um governo que não acreditava em educação e que não acredita, porque não investiram”, afirmou Lula.
Ataques e ofensas
Flávio Bolsonaro chamou Lula de “nove dedos” ao comentar a proposta de tarifa zero nos ônibus aos fins de semana, durante uma discussão sobre o salário mínimo ainda no primeiro bloco do debate. “Agora, não adianta nada, Lula, o salário mínimo estar em 1.621 reais se você dá com uma mão e tira com os nove dedos”, afirmou o senador.
No segundo bloco, o presidente rebateu a provocação, chamou Flávio de “miliciano” e afirmou que perdeu um dedo em um acidente de trabalho aos 17 anos. “Se tem alguém que perdeu o dedo com 17 anos, fui eu, trabalhando à noite, quando eu não podia trabalhar. Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos”, disse o petista.
Flávio teve direito de resposta por ter sido chamado de “miliciano”, mas não usou o tempo para rebater a acusação. Em vez disso, falou sobre a causa animal e defendeu a ampliação da Lei Sansão, que endureceu as penas para maus-tratos a cães e gatos, para incluir animais silvestres.
Lula também teve um direito de resposta concedido, mas aproveitou o tempo para abordar outro assunto. O presidente afirmou que ainda há muito a ser feito no Brasil e lembrou que o país levou mais de 400 anos após o descobrimento para ter sua primeira universidade. Disse ainda que “quem tem que pedir desculpas ao Brasil é a elite brasileira” e defendeu que seu governo foi o que mais promoveu políticas de inclusão social na história.
Pedido de desculpas
O segundo bloco do debate da TV Globo nesta noite foi marcado por um pedido de desculpas de Flávio Bolsonaro ao presidente Lula por tê-lo chamado de “nove dedos” no embate inicial.
“Não vou aceitar ser tratado assim e por um miliciano”, disse Lula. Antes, o presidente usou seu tempo para discursar como perdeu um dos dedos aos 17 anos — durante o trabalho em uma metalúrgica no ABC, em São Paulo —, e exigir uma reparação.
Com informações de Globo
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