Exportadores brasileiros superam desafios do tarifaço americano em 2025
Mesmo com a sobretaxa de 40% imposta pelos Estados Unidos em julho de 2025, o setor exportador brasileiro apresentou resultados positivos ao longo do ano. Guilherme Coelho, presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), afirmou que “o pior não aconteceu”, refletindo a avaliação de que os impactos, embora severos, foram menores do que o esperado inicialmente.
Resiliência dos setores e perspectivas para 2026
Contrariando as previsões pessimistas, as exportações brasileiras cresceram graças à abertura de novos mercados, à alta de preços internacionais e a negociações bem-sucedidas com importadores americanos que garantiram a continuidade das embarcações, especialmente no setor de frutas. As projeções para 2026 mantêm uma expectativa de crescimento, impulsionada por negociações em andamento e acordos comerciais.
Impacto nas frutas e o mercado americano
O clima também ajudou o setor de frutas, especialmente na exportação de manga, cujo crescimento de 13% foi impulsionado por acordos que evitaram desabastecimento. Já as vendas de uva para os EUA caíram 63%, mas representam apenas 12% do total de exportações do setor, o que ameniza o impacto apontado por Guilherme Coelho. O presidente ressalta que a prioridade no momento é a assinatura de acordos comerciais, como o do Mercosul com a União Europeia, cujo progresso na redução de tarifas pode ampliar a competitividade dos produtos brasileiros nos mercados europeus.
Setor cafeeiro mantém perspectivas otimistas
No setor de café, apesar de uma queda de cerca de 20% no volume exportado em 2025 devido às tarifas, a receita aumentou aproximadamente 25%, impulsionada pelos preços elevados. Para 2026, a expectativa é de recuperação no volume exportado de arábica, apesar das pendências relacionadas à tarifa de 50% sobre o café solúvel. O mercado de café também deve retomar o fluxo para os EUA, enquanto busca diminuir a dependência do mercado chinês, especialmente para o pescado brasileiro, que enfrenta tarifas em alta.
Indústria de máquinas e equipamentos e os efeitos do tarifão
Em outro segmento importante, a indústria de máquinas e equipamentos registrou um crescimento de aproximadamente 8% em 2025, apesar da redução nas exportações para os EUA. O crescimento foi sustentado por aumento nas vendas para a Argentina e México, países que apresentaram alta significativa nas importações. José Velloso, presidente da Abimaq, afirma que o setor enfrenta o desafio do elevado custo do crédito, que restringe novos investimentos, projetando uma expansão moderada de 4% para 2026.
Setor de pescados busca retomada
A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) reivindica a prorrogação de programas de apoio do governo, encerrados em dezembro de 2025, diante de uma estagnação provocada pelo tarifão americano. O setor, responsável por cerca de 11% dos empregos na área, registrou uma queda de 28% no volume de exportações, que foi parcialmente compensada por vendas com descontos considerados necessários para reduzir estoques e manter a liquidez. A expectativa é que a tarifa americana para o pescado seja reduzida nos próximos dois meses.
Perspectivas econômicas e negociações em curso
O governo e o setor privado continuam empenhados em negociações para diminuir a tarifa sobre o café solúvel e garantir a retomada das exportações de pescado. Além disso, avanços nas negociações com a União Europeia, que exige uma auditoria oficial do Brasil, são considerados passos essenciais para que o país possa acessar o acordo comercial do Mercosul-União Europeia. Segundo observadores, a normalização das condições de mercado e a queda das tarifas podem impulsionar o crescimento em torno de 30% do setor agrícola brasileiro em até dois anos.
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Com informações do Jornal Diário do Povo
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