Exportações da China caem 1,1% em outubro, primeira retração em oito meses

As exportações da China sofreram uma contração inesperada de 1,1% em outubro, marcada pela primeira queda em oito meses, segundo dados oficiais divulgados nesta sexta-feira. Apesar do crescimento de 3,1% nas vendas para todos os demais países, o recuo nas exportações para os Estados Unidos, que caiu mais de 25%, teve impacto decisivo na balança de comércio do país.

Impacto na recuperação econômica e resiliência comercial

O resultado surpreendeu analistas, já que a mediana das previsões da Bloomberg indicava um avanço de 2,9%. A queda reflete o enfraquecimento da resiliência externa da China, que vinha sustentando o crescimento por meio da diversificação de destinos de exportação. “A queda inesperada nas exportações sugere que a força relativa do yuan e as restrições de importação do México começam a influenciar a demanda externa”, afirmou Homin Lee, estrategista macro da Lombard Odier em Cingapura.

Declínio no comércio externo e riscos futuros

Dados do porto de Xangai apontam que o volume de contêineres processados foi o menor desde abril, período em que o presidente Donald Trump anunciou tarifas recíprocas de ao menos 10% para produtos estrangeiros. Desde então, a China tem sido a principal vítima dessas tarifas, com tarifas tarifárias de até 145%, enquanto Pequim aplica 125% sobre produtos americanos.

Segundo analistas do Barclays, a continuidade dessa tendência pode levar a uma desaceleração ainda mais acentuada no próximo trimestre, com uma previsão de crescimento mais fraco do que o registrado ao final de 2022, quando o país ainda lidava com os efeitos do fim dos lockdowns do Covid Zero. “Se a demanda global continuar fraca, o crescimento chinês poderá enfrentar um triplo golpe: contração do setor imobiliário, enfraquecimento do consumo privado e redução das exportações”, disseram em nota.

Repercussões do acordo entre Trump e Xi Jinping

O mês passado foi marcado por uma escalada nas tensões comerciais, mas o anúncio de um acordo entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping no final de outubro trouxe esperanças de recuperação. Como efeito, o governo americano anunciou redução de 10% nas tarifas sobre produtos chineses a partir da próxima segunda-feira, o que pode ajudar a reanimar o comércio bilateral até o fim do ano. Além disso, Pequim anunciou a suspensão de tarifas retaliatórias sobre alguns produtos agrícolas dos EUA e o alívio de controles de exportação, embora as tarifas chinesas ainda estejam mais altas que as de países como o Vietnã.

Perspectivas para o comércio e crescimento futuros

Especialistas alertam que o impacto dessas medidas pode ser limitado, especialmente devido às altas tarifas ainda em vigor. A desaceleração da demanda no restante do mundo também deve pesar sobre os embarques nos próximos meses, afetando negativamente a expansão econômica da China. Ainda assim, o país acumulou um superávit comercial recorde de US$ 965 bilhões nos 10 primeiros meses de 2025, impulsionado pela alta do superávit na conta corrente, que atingiu US$ 196 bilhões no terceiro trimestre, apoiada por uma valorização do yuan e uma demanda doméstica fraca.

Desafios e oportunidades na recuperação do comércio chinês

Apesar das dificuldades, empresas chinesas continuam ampliando sua presença internacional, com sinais de recuperação nos portos e uma projeção de crescimento mais resiliente em 2026, apoiada por fatores estruturais favoráveis. Analistas do Goldman Sachs destacam que o forte desempenho passado deve se manter, mesmo com os efeitos temporários de embarques antecipados. Entretanto, o trade externo ainda enfrenta incertezas, à medida que o cenário global permanece frágil e as tensões comerciais persistem.

Para mais detalhes, confira a matéria completa em O Globo.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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