Exportações brasileiras alcançam recorde de US$ 290 bilhões em 2025, apesar das dificuldades comerciais com os EUA
As exportações brasileiras atingiram US$ 31,97 bilhões em outubro de 2025, crescimento de 9,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior, mesmo com forte queda de 37,9% nas vendas aos Estados Unidos, devido ao tarifão do governo americano. No acumulado do ano, as vendas externas chegaram a US$ 289,73 bilhões, registrando um recorde histórico, de acordo com dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
Razões do crescimento das exportações diante das perdas nos EUA
Especialistas destacam que a diversificação dos mercados foi crucial para que o Brasil ampliasse suas exportações, mesmo com o impacto negativo das tarifas americanas. Segundo Lucas Barbosa, economista da ZQuest Investimentos, o desempenho positivo foi impulsionado pelo aumento nas vendas para a China, Ásia e países do Oriente Médio, compensando as perdas nas vendas aos Estados Unidos.
Competição global e novos mercados
O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, afirmou que muitas empresas conseguiram contornar as dificuldades de exportar para os EUA, abrindo novos mercados, especialmente para produtos como carne, soja e minérios. “No início do ano, a expectativa era de uma perda entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões nas exportações, mas o resultado deverá ser de um pequeno crescimento neste ano”, explicou.
Além disso, o aumento nas vendas para a China, em meio às dificuldades dos EUA de exportar para lá, foi fundamental. Os embarques para a China cresceram 33,4%, totalizando US$ 2,3 bilhões, enquanto as exportações para outros mercados asiáticos também apresentaram alta significativa, como Índia (+55,5%) e Cingapura (+29,2%).
Impactos das tarifas e perspectivas futuras
Apesar da forte queda de 37,9% nas vendas para os EUA, o superávit de US$ 7 bilhões em outubro evidencia a resiliência do setor exportador brasileiro, que conseguiu manter a trajetória de crescimento. Welder Barral, ex-secretário de Comércio Exterior, destacou que o aumento nas vendas de carne, soja, minério de ferro e petróleo foi sustentado por preços favoráveis e uma safra robusta.
Por sua vez, Abrão Neto, presidente da Câmara Americana de Comércio (Amcham), reforçou que a contínua contração das vendas para os EUA revela os efeitos prejudiciais das tarifas, que impactam cadeias produtivas, investimentos e empregos em ambas as nações. Ele destacou a necessidade de avançar nas negociações bilaterais para normalizar o comércio.
Perspectivas e negociações
Especialistas defendem que a diversificação de mercados continuará sendo uma estratégia vital para o Brasil. Welder Barral lembrou que exportadores brasileiros estão se adaptando para mitigar os efeitos das tarifas, alcançando crescimento em países como Turquia (+69,4%), Egito (+58,8%) e Emirados Árabes (+55,8%).
Além disso, a recuperação de setores como carnes, produtos agrícolas e minérios, apoiada por preços favoráveis e uma economia global em melhora, deve contribuir para manter o bom desempenho das exportações no restante de 2025.
Para Lucas Barbosa, o superávit de US$ 7 bilhões em outubro demonstra que, apesar dos obstáculos tarifários, as exportações brasileiras atingiram volumes recordes. Ainda, as ações de diversificação de mercados têm sido essenciais para sustentar o crescimento mesmo em tempos de dificuldades comerciais com os EUA.
Mais detalhes sobre o desempenho das exportações e as perspectivas para o comércio externo brasileiro podem ser conferidos no artigo completo neste link.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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