Ex-presidente do Paraguai é transferido para unidade militar
O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, deixou a prisão domiciliar e foi transferido para o Regimento de Escolta Presidencial, uma unidade militar de elite das Forças Armadas do país encarregada da segurança de autoridades, na madrugada deste sábado. A informação é do jornal paraguaio La Nación.
Detido em sua casa, na sexta-feira, por ordem do Ministério Público devido ao seu envolvimento no caso da quebra do Ueno Bank, que levou ao bloqueio de contas e investimentos de cerca de 40% da população e paralisou o comércio no país, Peña teve seu pedido de renúncia rejeitado e sofreu também impeachment do cargo em uma decisão unânime dos senadores paraguaios.
O político se tornou alvo da ira e de protestos de cidadãos. Depois de choques entre manifestantes e polícia que deixaram o comissário Pedro Barbera, chefe da 10ª Delegacia, ferido no supercílio, a inteligência paraguaia apontou a infiltração de agitadores na multidão em frente à residência do ex-presidente
Entenda o caso
A derrocada política de Peña foi consumada três dias depois da quebra do Ueno Bank — banco digital do qual o então presidente de 47 anos e ex-economista do Fundo Monetário Internacional (FMI) foi acionista até o ano passado — onde foram depositados US$ 850 milhões (R$ 4,6 bilhões no câmbio atual) em fundos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
Minutos após o anúncio da decisão do Congresso paraguaio, promotores especializados de Delitos Econômicos e Anticorrupção pediram a prisão imediata do presidente destituído, alegando suposta quebra de confiança e outros ilícitos penais relacionados ao escândalo financeiro. Além de Peña, a promotoria pediu a prisão do ex-presidente do Banco Central paraguaio, Carlos Carvallo.
— (Peña) Vai permanecer na qualidade de detenção domiciliar — disse então à imprensa a promotora Silvia Margarita González Vester. O ex-presidente será conduzido à promotoria neste sábado, onde será interrogado sobre os supostos crimes de abuso de confiança, tráfico de influência e peculato.
Com a condenação política de Peña, o Congresso paraguaio empossou ainda nesta noite o até então vice-presidente, Pedro Alliana, que na véspera foi poupado pela Câmara dos Deputados de também se tornar alvo de um processo de impeachment. Também do Partido Colorado, Alliana é próximo ao ex-presidente Horacio Cartes, líder da sigla e ex-padrinho politico de Peña, com quem teve uma ruptura pública durante o mandato.
Da Redação
Share this content:














Publicar comentário