Ex-governadora do Fed, Adriana Kugler, viola regras éticas e abandona cargo antes do término do mandato

A ex-governadora do Federal Reserve, Adriana Kugler, renunciou ao cargo em agosto após ser alvo de investigações internas e de denúncias de violações às regras de ética da instituição, segundo documentos divulgados neste sábado. A saída ocorreu em um momento em que Kugler tentava resolver questões relacionadas a suas próprias transações financeiras.

Investigação revela violações às regras de ética do Fed

De acordo com o Escritório de Ética Governamental, Kugler realizou negociações de ações durante períodos de blackout — momentos em que operações são proibidas para elos do Fed — incluindo ações da Apple, Caterpillar e Southwest Airlines. Essas transações, muitas delas não reportadas anteriormente, violaram diretrizes rígidas da agência.

O documento indica que autoridades de ética do Fed encaminharam o caso ao inspetor-geral da instituição no início deste ano. Ainda não há conclusão definitiva, pois uma investigação oficial está em andamento, segundo um porta-voz do órgão.

Contexto da renúncia e impacto político

Precipitação por motivos internos e externos

Kugler anunciou sua saída em 1º de agosto, quase seis meses antes do término de seu mandato, sem detalhar os motivos. Na mesma época, ela não participou da reunião de política monetária do Fed, realizada em julho, alegando questões pessoais. Na ocasião, pediu autorização para resolver questões financeiras envolvendo seus ativos, pedido que foi negado pelo presidente Jerome Powell.

A renúncia de Kugler coincidiu com uma janela favorável ao então presidente Donald Trump, que pressionava por cortes agressivos nas taxas de juros. A vaga no Fed acabou sendo ocupada por Stephen Miran, aliado de Trump, conhecido por defender reduções rápidas nas taxas.

Regras de ética e impacto no Fed

Essas revelações reforçam as críticas ao nível de transparência e ética dentro do banco central dos Estados Unidos. Desde 2022, o Fed adotou regras mais rigorosas após a descoberta de negociações incomuns entre altos funcionários em 2020. Ainda assim, incidentes recentes demonstram que há lacunas na fiscalização.

Senadores democratas e republicanos cobraram maior responsabilização e legislação mais rígida, como destacou a senadora Elizabeth Warren, que pediu por medidas bipartidárias para aumentar a transparência do Fed.

Aspectos legais e futuras repercussões

A investigação em andamento pelo inspetor-geral deve esclarecer se Kugler violou as regulamentações de forma intencional e quais medidas poderão ser adotadas. Especialistas apontam que o episódio evidencia a necessidade de reforçar as proteções éticas e a fiscalização do banco central norte-americano.

O presidente do Comitê Bancário do Senado, Tim Scott, afirmou que o episódio demonstra a urgência de restaurar a integridade do Fed e fortalecer sua cultura de responsabilidade.

Perspectivas futuras e reformas

Analistas avaliam que o episódio poderá acelerar a discussão sobre reformas na governança do Fed. A expectativa é que o órgão implemente medidas adicionais para garantir maior transparência e evitar que situações similares ocorram no futuro.

Para acompanhar o desenvolvimento dessas investigações e mudanças na política de ética do banco, continue acompanhando nossas atualizações.

Para mais detalhes, acesse a notícia completa no O Globo.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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