Empresas apostam em aumento de capital para evitar tributação de lucros
Em meio ao rali de estratégias das empresas para contornar a tributação de dividendos prevista para 2026, muitas estão optando pela capitalização de reservas de lucros acumulados. Grandes nomes, como Axia (antiga Eletrobras), Klabin e Cyrela, anunciaram aumentos de capital por essa via, permitindo a emissão de novas ações e bonificações aos investidores.
Corrida dos dividendos e mudanças no Imposto de Renda
De acordo com análises do mercado, esse movimento está intimamente ligado à alta na tributação de dividendos, que entrará em vigor no próximo ano. Segundo informações, empresas planejam pagar cerca de R$ 37 bilhões extras em dividendos para blindar acionistas contra o impacto do aumento do Imposto de Renda (IR). Além disso, até o final de 2025, dividendos podem totalizar aproximadamente R$ 85 bilhões, impulsionados pela nova legislação.
Estratégias para preservar caixa e valorizar ações
Para analistas, a capitalização via reserva de lucros é uma alternativa eficiente para manter a estrutura patrimonial das companhias, além de proporcionar maior flexibilidade financeira. Segundo Paulo Henrique Pêgas, professor de Finanças do Ibmec-RJ, essa prática ajuda a preservar recursos internos, fortalecendo a capacidade de investimento e valorizando as ações dos investidores. “É uma forma de reinvestir na própria companhia, evitando a tributação imediata em caso de venda ou recompra de ações”, explica.
Flexibilidade financeira e exemplos recentes
Na prática, as operações de aumento de capital têm sido acompanhadas por grandes empresas. A Axia, por exemplo, aprovou um aumento de R$ 30 bilhões, emitindo cerca de 607 milhões de ações preferenciais, a um preço de R$ 49,44 cada. A Klabin divulgou pagamento de R$ 1,1 bilhão em dividendos, além de usar uma fatia de sua reserva de lucros — R$ 800 milhões — para capitalização.
Outras companhias do setor imobiliário, como Eztec, também adotam essa estratégia, com aumentos de capital de R$ 1,4 bilhão, além de reforçar a prática com empresas de outros segmentos, como RD Saúde e Unifique, que planejam distribuir dividendos ou realizar bonificações utilizando reservas de lucros dos últimos exercícios.
Impactos e perspectivas futuras
Especialistas apontam que o aumento do volume de dividendos e operações de capitalização refletem a preocupação das empresas em ajustar sua estrutura financeira sem comprometer a liquidez. O analista Ilan Arbetman, da Ativa Investimentos, destaca que a estratégia visa proporcionar maior segurança e maior valor ao acionista, com uma comunicação clara sobre os planos de distribuição de lucros futuras, mesmo diante de incertezas legais.
Enquanto isso, o cenário macroeconômico permanece atento às decisões do Federal Reserve, que recentemente manteve a taxa de juros nos EUA em 15%, reforçando o ambiente de estímulos e ajustes no mercado global.
Para acompanhar as mudanças na legislação, as empresas estão criando classes de ações preferenciais e adotando medidas que oferecem maior flexibilidade na gestão de recursos. Assim, elasBuscam equilibrar a necessidade de crescimento, pagamento de dividendos e o fortalecimento de suas Bases financeiras, enquanto aguardam condições jurídicas mais seguras para futuras distribuições.
Para mais detalhes sobre as estratégias corporativas em resposta às novas regras fiscais, acesse a matéria completa no O Globo.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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