Empresa e setor financeiro enfrentam desafios e expectativas para 2026
A confiança do setor empresarial no Brasil apresentou sinais de estabilização em 2025, após anos de turbulências, e as perspectivas para 2026 indicam uma possível melhora, mesmo com desafios políticos e econômicos. Segundo o ICE agregado, que mede indicadores setoriais, o índice caiu de 95,9 pontos em dezembro de 2024 para cerca de 90 pontos, permanecendo estacionado desde setembro, refletindo divergências internas entre componentes do índice, como a percepção sobre a situação atual e as expectativas de curto prazo.
Expectativa de alívio nos juros eleva otimismo empresarial
Rodolpho Tobler, coordenador das Sondagens Empresariais do Instituto Brasileiro de Economia (FGV/Ibre), destaca que uma possível redução na taxa básica de juros, Selic, sinaliza um ponto de virada na confiança dos empresários. “Ao longo de 2025, o aumento dos juros impactou negativamente a confiança, especialmente na indústria, que é muito sensível à crédito e às condições de financiamento”, afirma Tobler. A expectativa é que a queda na Selic facilite uma atividade econômica mais equilibrada em 2026, com demanda de consumo ainda robusta e maior estabilidade.
Sinal de recuperação e o papel das expectativas
Sinais positivos aparecem também na pesquisa Firmus do Banco Central, que indica uma melhora nas expectativas das empresas não financeiras. Na última edição de 2025, 27,9% das firmas consideraram a situação econômica atual neutra, contra 21,4% no trimestre anterior. Além disso, a porcentagem de respostas “discretamente negativa” caiu de 47,8% para 35%. Para Tobler, essas tendências indicam um possível ponto de inflexão na percepção do setor privado, preparando o terreno para um ciclo de crescimento mais consistente em 2026.
Impactos setoriais e perspectivas específicas
A busca por renovação de parques instalados, como geladeiras e eletrodomésticos, aliado ao aumento da demanda por categorias como fornos, cooktops e lava-louças, sugere boas oportunidades de expansão para o setor de bens duráveis. Gustavo Ambar, diretor-geral da Whirlpool, menciona que, apesar dos juros altos em 2025, o consumo cresceu sustentado pelo emprego e renda elevados, e a expectativa de redução das taxas em 2026 deve impulsionar ainda mais este cenário.
Setores de serviços também demonstram resiliência. Magali Leite, CEO da Espaçolaser, aponta que o bom desempenho do segmento se deve à alta qualidade dos serviços e à ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. Ela acredita que 2026 será um ano de crescimento, com investimentos e expansão da atuação da rede, inclusive internamente na América Latina, onde a marca já lidera mercados na Argentina e Chile.
Oportunidades e riscos na indústria extrativa e petróleo
A Anglo American prevê inauguração de uma usina de filtragem de rejeitos na mina de Minas-Rio, um investimento de R$ 5 bilhões, marcando uma evolução na sustentabilidade da operação. Ana Sanches, CEO da companhia, expressa otimismo, embora manifeste preocupação com a Reforma Tributária e o novo Imposto Seletivo: “Fico muito preocupada com a competitividade do Brasil, que tem perdido terreno devido à carga tributária”.
No setor petrolífero, Cristiano Pinto da Costa, CEO da Shell no Brasil, destacou o recorde de produção de petróleo e gás em 2025, mesmo diante da baixa cotação internacional do petróleo, que atualmente oscila em torno de US$ 60 por barril. Para 2026, a companhia mantém sua aposta na eficiência operacional, enquanto monitora as alterações no mercado global e a questão tributária que pode impactar a competitividade.
Consumo, inflação e a influência do calendário político
Empresas de segmentos como fast food e comércio eletrônico estão otimistas, mesmo com o calendário eleitoral e possíveis turbulências internacionais. Tito Barroso, CEO da Taco Bell no Brasil, reforça que o evento da Copa do Mundo ajudará a impulsionar o consumo, enquanto Juliana Sztrajtman, presidente do Amazonas Brasil, visualiza melhoras na demanda com a expansão de produtos e melhorias logísticas, apoiada por investimentos de R$ 55 bilhões na última década.
Por sua vez, Silvia Penna, diretora-geral da Uber no Brasil, avalia que o mercado de transporte continuará crescendo, impulsionado pela forte penetração do aplicativo como infraestrutura urbana, além do avanço em produtos segmentados e estratégias de fidelização dos clientes. As discussões sobre a regulamentação do trabalho por aplicativo também estão na pauta, buscando equilibrar proteção social e flexibilidade.
Inovação e longo prazo: oportunidades na construção de um ambiente mais eficiente
O otimismo de diferentes setores se reflete também na aposta em inovação tecnológica e aumento de investimentos. Juliana Sztrajtman destaca que a entrada em vigor da Reforma Tributária deve simplificar operações e fomentar novas frentes de crescimento, enquanto a Shell aposta em eficiência operacional e na exploração de biocombustíveis como fatores estratégicos de longo prazo.
Apesar dos desafios políticos e econômicos, o cenário para 2026 aponta para uma retomada do ritmo de crescimento no Brasil, apoiada por melhorias na confiança, redução de juros e oportunidades de investimento estratégico. Os empresários demonstram confiança na estabilidade macroeconômica e na capacidade de adaptação às mudanças do ambiente de negócios.
Com informações do Jornal Diário do Povo
Share this content:










Publicar comentário