Economia da China enfrenta forte recuo no início do quarto trimestre

A atividade econômica da China esfriou mais do que o previsto no início do quarto trimestre, com uma queda inédita nos investimentos e crescimento mais lento na produção industrial, refletindo o impacto de uma demanda doméstica enfraquecida. Dados divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas (NBS) nesta sexta-feira comprovam o contexto de desaceleração que a maior economia da Ásia atravessa neste momento.

Recuo nos investimentos e produção industrial

O investimento em ativos fixos encolheu 1,7% nos primeiros 10 meses do ano, marcando uma queda sem precedentes para o período, segundo informações do NBS. A Bloomberg Economics estima que o investimento tenha caído até 12% em outubro, estendendo a sequência de recuos para cinco meses consecutivos. Por outro lado, a produção industrial cresceu 4,9% em novembro em relação ao mesmo período do ano passado, o menor avanço desde o começo do ano, abaixo da previsão medianamente de 5,5% dos economistas.

Trajetória de enfraquecimento e desafios internos

A China entrou na fase final de 2025 com sinais claros de enfraquecimento econômico, após uma moderação na expansão ao longo dos seis meses anteriores. A redução inesperada nas exportações, que, se persistente, pode ampliar a vulnerabilidade do país a uma desaceleração na demanda interna, contribuíram para esse quadro. “O ímpeto de crescimento se dissipou em outubro, influenciado pelos esforços do governo para lidar com excesso de capacidade e concorrência acirrada”, afirmou Raymond Yeung, economista-chefe para a Grande China no Australia & New Zealand Banking Group.

Reação do mercado e impacto nas finanças

O mercado financeiro reagiu de forma discreta às cifras decepcionantes, com o yuan e os títulos do governo apresentando poucas variações. O índice CSI 300 de ações fechou em queda de 0,24%, após uma alta de 1,2% na quinta-feira. Os gastos de capital em infraestrutura tiveram uma leve expansão, enquanto o crescimento em manufatura desacelerou e o investimento imobiliário recuou ainda mais. As vendas no varejo apresentaram avanço de 2,9%, desacelerando pelo quinto mês consecutivo, a sequência mais longa desde 2021, enquanto a taxa de desemprego urbano caiu levemente para 5,1%.

Perspectivas e medidas do governo

O Escritório Nacional de Estatísticas afirmou que a economia enfrenta vários desafios, com fatores externos incertos e pressões internas na reestruturação econômica. Apesar do quadro, o governo chinês aprovou estímulos no valor de um trilhão de yuans desde setembro para impulsionar gastos de capital e reforçar os cofres locais, o que deve gerar efeitos positivos nos próximos meses. Entretanto, as autoridades parecem relutantes em adotar novos estímulos de grande porte, dado que o Banco Central indicou que não está preocupado com a desaceleração dos empréstimos.

Desafios e estratégias futuras

Embora as medidas de estímulo estejam começando a mostrar efeito, analistas avaliam que é necessário avançar com reformas estruturais de longo prazo, como mudanças na distribuição de renda e no sistema de seguridade social, especialmente com a expectativa de lançar um novo plano quinquenal em 2026. A previsão atual é de uma expansão de aproximadamente 4,9% para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, com a meta de cerca de 5% ainda plausível sem a necessidade de intervenções mais agressivas.

Para saber mais detalhes, acesse a fonte em O Globo.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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