Dólar sobe 0,58% e Bolsa fecha em queda após vencimento de MP

O dólar fechou a quinta-feira em alta de 0,58%, cotado a R$ 5,37, enquanto a Bolsa de Valores caiu 0,31%, aos 141.708 pontos. O movimento ocorreu após o vencimento da Medida Provisória 1303, que buscava aumentar a arrecadação do governo para cumprir a meta fiscal de 2026, mas não foi aprovada pelo Congresso.

Impacto da MP 1303 nas perspectivas fiscais e nos ativos

Para o analista da Oby Capital, Matheus Nascimento, o não avanço da MP reforçou as preocupações acerca da trajetória do déficit público. “Como o governo não conseguiu passar a MP, o déficit para 2026 pode chegar a aproximadamente R$ 50 bilhões”, afirmou. Ele acrescentou que, em um ano eleitoral, esse cenário costuma gerar tensões adicionais na dívida pública, influenciando os ativos financeiros.

Força do dólar no exterior e fatores internacionais

O dia também foi marcado pela valorização do dólar no mercado internacional, influenciada por fatores externos como a crise na França, que pressionou o euro, e as eleições no Japão, com postura fiscal menos rigorosa por parte da nova primeira-ministra. Gustavo Rostelato, economista da Armor Capital, destacou que o índice DXY, que mede o dólar frente a seis moedas fortes, subiu 0,6% às 17h, por motivos globais.

Pressões sobre o mercado de ações brasileiro

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, também enfrentou dificuldades, impulsionado pela queda nas ações de empresas ligadas a commodities e ao consumo cíclico. Vale (VALE3) caiu 0,15%, e Petrobras (PETR4) despencou 1,44%, reflexo da baixa no preço do petróleo no mercado internacional, impactando o setor petrolífero como um todo.

Inflação menor e o cenário político no Brasil

Apesar de o dado de inflação de setembro ter vindo abaixo do esperado, o mercado reagiu de modo moderado, com a curva de juros apresentando redução nos prazos ao longo de toda a estrutura. Segundo Leonel Mattos, analista da StoneX, o governo Lula enfrenta dificuldades de articulação política para aprovar pautas econômicas importantes, o que gera resistência em adotar medidas de corte de gastos.

Perspectivas e cenário eleitoral

Mattos observa que a oposição, que possui maioria no Congresso, demonstra força suficiente para lançar um candidato mais fiscalista às próximas eleições, mantendo o cenário político bastante competitivo apesar da recuperação da popularidade do governo. Leonardo Costa, economista-chefe da Monte Bravo, afirmou que o Executivo pode desmembrar itens menos polêmicos da MP para facilitar a tramitação, mas essa estratégia não será fácil devido à resistência de setores da Câmara.

Desafios fiscais e possíveis estratégias do governo

O especialista destacou que ações como taxação de Bônus de Exclusividade, juros sobre capital próprio e revogação de isenções podem encontrar resistência, ameaçando quase metade dos R$ 20 bilhões previstos na proposta de arrecadação. Segundo Luciano Costa, da Monte Bravo, o governo precisará de esforços adicionais para evitar o descumprimento da meta primária de 2026, considerando a necessidade de compensar aproximadamente R$ 32 bilhões.

Próximos passos e possíveis ajustes na meta fiscal

Costa ressaltou que, caso o governo perceba dificuldades para cumprir a meta, uma alternativa seria a revisão da própria meta fiscal, embora esse caminho seja mais complexo e desacordado pelos investidores, dado o impacto sobre a confiança nas políticas fiscais do país.

Para mais detalhes, acesse a matéria completa no fonte original.

Com informações do Jornal Diário do Povo

Share this content:

Publicar comentário