Crise política na França por causa do acordo UE-Mercosul
O governo francês foi duramente criticado nesta sexta-feira (9) por rivais políticos e agricultores após não conseguir impedir a aprovação do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul. Partidos de extrema esquerda e extrema direita apresentaram moções de censura contra o primeiro-ministro Sébastien Lecornu, evidenciando a instabilidade política que o país enfrenta antes das eleições de 2027.
Governo enfrenta forte reação contra acordo UE-Mercosul
O partido de extrema esquerda França Insubmissa (LFI) apresentou uma moção de censura enquanto o partido de direita Reunião Nacional (RN), liderado por Marine Le Pen, anunciou que faria o mesmo contra o presidente da Comissão Europeia, em Bruxelas. As manifestações refletem a insatisfação de setores agrícolas e políticos com o tratado, que, embora não tenha sido ratificado ainda, avançou na parede de negociações da UE.
Segundo analistas, o risco de derrubada do governo liderado por Macron é baixo, mas as ameaças revelam a delicada situação política envolvendo o apoio ao acordo e o cenário eleitoral de 2027, quando a oposição espera ampliar sua influência. “As moções têm pouca chance de aprovação, mas servem para fortalecer a narrativa anti-UE da direita”, afirma Stewart Chau, analista do Verian Group.
Política interna e as implicações do acordo
Apesar da votação favorável de maioria dos Estados-membros da UE, a França, maior produtora agrícola do bloco, votou contra o tratado, que limita-se a um apoio qualificado na UE para ser assinado. Seus opositores argumentam que o acordo irá aumentar as importações de alimentos baratos, prejudicando os agricultores franceses, sobretudo os pecuaristas, responsáveis por um terço do setor agrícola nacional.
Jordan Bardella, líder do RN, afirmou que o voto contrário de Macron foi apenas uma postura, considerada uma “traição aos agricultores”. Marine Le Pen chegou a pedir que Macron ameaçasse suspender a contribuição da França ao orçamento da UE, em uma tentativa de pressionar Bruxelas. Do outro lado, Mathilde Panot, da LFI, afirmou que o país foi “humilhado” por Bruxelas e chegou a pedir a saída de Lecornu e Macron nas redes sociais.
Repercussões internacionais e futuras etapas
Embora o acordo esteja mais próximo da assinatura, com sinais verdes da maioria dos países da UE, sua ratificação depende do Parlamento Europeu. O entendimento prevê o maior acordo de livre comércio já negociado, após 25 anos de negociações, facilitando o acesso a minerais críticos e compensando perdas decorrentes de tarifas dos Estados Unidos.
Porém, setores agrícolas franceses, especialmente pecuaristas, continuam mobilizados contra o tratado, temendo a entrada de produtos de menor custo como carne bovina, aves e açúcar. Apesar das concessões feitas por Bruxelas para proteger esses produtores, a oposição permanece forte na França rural.
Analistas avaliam que a crise política pode se prolongar, aumentando a pressão sobre Macron em um momento que exige maior unidade nacional. “A situação revela o desafio de conciliar interesses econômicos e políticos em um cenário global cada vez mais hostil”, conclui Chau. Fonte.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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