Crise do Banco Master e limitações nas captações elevam investigações e questionamentos

As captações do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, diminuíram significativamente após o acordo de assistência de liquidez com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O contrato estabeleceu limites para novas emissões de CDBs, impedindo taxas acima de 100% do CDI, o que reduziu drasticamente uma das principais fontes de recursos do banco.

Limitação das captações e impacto na liquidez

Desde o empréstimo do FGC, em maio do ano passado, as captações via CDB somaram aproximadamente R$ 90,2 milhões até 1º de outubro, enquanto o valor da assistência do fundo chegou a R$ 4,2 bilhões. A restrição à emissão de títulos com taxas acima de 100% do CDI afetou o potencial de captação do banco, que até então usava taxas de até 140% do CDI para atrair investidores.

Além disso, a revogação de uma operação de crédito de R$ 12,2 bilhões com o Banco de Brasília (BRB), pelo Banco Central, evidenciou a crise financeira do Master, reforçando a busca por novas fontes de financiamento. Segundo fontes familiarizadas, Vorcaro teria buscado recursos por meio de operações com fundos de terceiros, o que elevou o nível de complexidade e risco de sua gestão financeira.

Operações suspeitas e investigação policial

Investigações indicam indícios de fraude nas transações envolvendo R$ 12,2 bilhões entre o Master e o BRB. A Polícia Federal apura suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a operações complexas, incluindo a aquisição de ativos de crédito para posterior venda com lucros suspeitos, além de manipulação de balanços para inflar o valor de seus títulos.

A operação do BC que desfez parte do esquema, aliada à atuação do TCU, tem gerado tensões institucionais. O Tribunal de Contas da União admitiu não ter competência para atuar diretamente na liquidação, mas sua análise extrapolou atribuições, ameaçando a autoridade do Banco Central no caso. Míriam Leitão explica o conflito institucional.

A crise de recursos e estratégias de irregularidade

Durante 2023 e 2024, o Master realizou operações de crédito para várias empresas, incluindo a Reag Investimentos, que tem R$ 11,5 bilhões aplicados em fundos de investimento relacionados ao banco. Esses fundos, por sua vez, investiram em títulos de baixo valor, como precatórios, inflando artificialmente seus valores em balanços que passam por análise do Ministério Público.

Procurados, o Master e a Reag não se manifestaram publicamente. A falta de liquidez agravou-se com a tentativa de Vorcaro de recuperar recursos por meio de operações com terceiros, o que levantou suspeitas de esquema fraudulento. As operações de compra e venda de ativos, realizadas de forma aparentemente irregular, também estão sob investigação, apontando para uma tentativa de dar sobrevida à instituição financeira.

Cláusula restritiva e o risco de insolvência

A linha de assistência do FGC continha uma cláusula que interromperia o repasse de recursos em caso de investigação policial, o que ocorreu na última semana. Com um passivo considerado dez vezes maior que seus recursos, o banco enfrentava uma situação de insolvência iminente, fato que levou à sua liquidação e ao início de uma forte crise de credibilidade.

Esses eventos reforçam a posição do Banco Central, que destaca sua atuação na crise, apesar dos questionamentos do TCU. A investigação em curso busca esclarecer as práticas financeiras irregulares e evitar que esquemas similares prejudiquem o sistema financeiro nacional, enquanto as movimentações suspeitas continuam sob análise das autoridades.

Para mais detalhes, consulte o documento do Banco Central ao TCU.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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