Cotas da China e México afetam o Brasil na exportação de carne bovina

As recentes limitações impostas pela China e pelo México nas importações de carne bovina podem alterar o cenário do setor no Brasil, maior exportador mundial do produto. A China permitirá a venda de até 1,1 milhão de toneladas com uma tarifa de 12%, enquanto o México adotou cotas de 70 mil toneladas sem impostos, com sobretaxa de 20% para volumes superiores.

Impactos das cotas na exportação brasileira de carne bovina

De acordo com especialistas ouvidos pelo g1, as restrições podem ocasionar uma redução temporária nas exportações do Brasil, que vendeu aproximadamente 1,6 milhão de toneladas à China e 113 mil toneladas ao México em 2025. Apesar disso, há expectativa de que a oferta brasileira não desapareça completamente do mercado, já que as limitações podem levar ao redirecionamento das vendas a outros destinos, como os Estados Unidos, que suspenderam tarifas recentemente.

O que dizem os analistas sobre as restrições

Cesar Castro Alves, gerente da Consultoria Agro do Itaú BBA, destaca que a cota chinesa ficou cerca de 600 mil toneladas abaixo do volume exportado pelo Brasil em 2025. Contudo, ele lembra que a cota será progressivamente ampliada ao longo de três anos, o que pode aliviar o impacto ao longo do tempo. “A China pode estar dando um tiro no pé, porque a nossa carne é a mais barata“, comenta Carvalho, pesquisador do Cepea/Esalq.

Já a limitação mexicana ocorre em um momento de diminuição do rebanho, devido à contaminação pela bicheira do Novo Mundo, que ameaça a produção local. Castro observa que diversificar fornecedores para o México é uma estratégia que pode beneficiar o Brasil, uma vez que o país possui produção competitiva e preços atrativos.

Destino da carne brasileira sem o mercado chinês e mexicano

Com as cotas, os Estados Unidos aparecem como uma alternativa promissora para o Brasil, devido à demanda contínua por carne, a alta nos preços no mercado interno americano e o menor rebanho desde 1960. Além disso, países como Uruguai e Argentina podem ampliar suas compras do Brasil, especialmente após aumento nas importações por argentinos em 2025.

Perspectivas para o mercado externo

Segundo Castro, o Japão poderia vir a importar carne brasileira futuramente, mas a reação inicial tende a ser cautelosa. A estratégia mais segura para o Brasil é consolidar os mercados já existentes, como Filipinas, e negociar cotas com outros fornecedores que atendem a China, tentado obter uma fatia maior das limitações de importação daquele país.

Preços da carne bovina e produção em 2026

A previsão é de que os preços da carne no Brasil permaneçam elevados em 2026. O ciclo pecuário atual indica uma menor oferta de bois no segundo semestre, após aumento das exportações no primeiro trimestre, o que mantém a inflação de carnes próxima a 5% ao ano, conforme o IPCA de novembro de 2025.

Embora as exportações possam diminuir por causa das cotas, fatores como o ciclo pecuário, eleições e Copa do Mundo manterão a demanda no mercado interno alta. Ainda assim, a expectativa é de que a produção de carne brasileira continue sendo competitiva devido ao custo de produção e à elevada qualidade do produto.

Especialistas alertam que o Brasil deve buscar alternativas para diversificar seus destinos de exportação, fortalecendo a presença em mercados já existentes e negociando novas oportunidades para evitar dependência excessiva da China e do México.

Para saber mais detalhes, acesse a matéria completa no g1.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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