Cortes na geração de energia atingem recordes e provocam prejuízos no setor

Segundo levantamento recente, o Brasil enfrenta o terceiro mês consecutivo de recordes em cortes forçados na geração de energia, com perdas que ultrapassam 5,9 mil GWh em outubro. A situação reflete a crise de equilíbrio do sistema elétrico, agravada por altas incidências de fontes intermitentes como solar e eólica.

Cortes de energia atingem recordes e geram prejuízos

De acordo com a consultoria Volt Robotics, em outubro, as usinas solares tiveram cortes em 37% de sua capacidade, deixando de gerar mais de 1,3 mil GWh e causando prejuízos de aproximadamente R$ 192 milhões. As usinas eólicas também sofreram perdas próximas a 37,1%, com quase 4,6 mil GWh não escoados e prejuízos de R$ 741 milhões. No total, o setor deixou de produzir cerca de 5,9 mil GWh.

Impacto do excesso de geração e crises no setor

O excesso de geração, especialmente em dias de alta incidência de sol e vento, leva o Operador Nacional do Sistema (ONS) a cortar a produção para evitar sobrecarga. Essa prática, conhecida como “curtailment”, foi responsável por crises de estresse operacional, como a ocorrida no Dia dos Pais, em agosto, próximo a um possível colapso no sistema.

Segundo especialistas, o problema se agravou neste ano, com uma alta de 20,4% nos cortes de geração renovável até outubro, comparado ao mesmo período de 2024. Parte dessa crise também está relacionada à ampliação da micro e minigeração distribuída, que não é controlada pelo ONS, levando a desequilíbrios na rede.

Desequilíbrio no sistema e fatores agravantes

Grande parte do problema decorre do aumento de sistemas de geração distribuída instalados em residências e fazendas solares, além da insuficiência de linhas de transmissão para escoar a energia produzida. Essa combinação de fatores aumenta a frequência de cortes, impactando especialmente regiões como Rio Grande do Norte, Ceará e Minas Gerais, onde os cortes atingiram, respectivamente, 43,8%, 34,9% e 30,8% em outubro.

De acordo com a especialista Ana Paula Gomes, a limitação na transmissão e o crescimento de fontes intermitentes complicam a operação do setor. “Sem controle da injeção de cargas e com insuficiência de linhas de transmissão, o equilíbrio será cada vez mais difícil de manter”, explica.

Perspectivas e desafios futuros

O aumento contínuo dos cortes pode intensificar os prejuízos às empresas do setor e comprometer a segurança do fornecimento de energia no Brasil. Ainda assim, iniciativas para ampliar a capacidade de transmissão e gerenciar melhor as fontes renováveis são consideradas essenciais para mitigar o problema.

O Operador Nacional do Sistema trabalha na implementação de medidas que visam melhorar o planejamento do uso das fontes intermitentes e ampliar a infraestrutura de transmissão para evitar novos episódios de excesso e cortes de energia.

Para mais informações, acesse a matéria completa no GLOBO.

Com informações do Jornal Diário do Povo

Share this content:

Publicar comentário