Comprador mais jovem ganha espaço no mercado imobiliário

A ideia de que a compra do primeiro imóvel é um projeto para uma fase mais avançada da vida está mudando. Em Teresina (PI), jovens entre 18 e 30 anos vêm ganhando espaço no mercado imobiliário e antecipando a decisão de conquistar a casa própria. O movimento é observado principalmente no segmento econômico, impulsionado pelas possibilidades de financiamento habitacional e pela busca por maior autonomia financeira.

Dados da MRV, construtora com atuação no segmento econômico em Teresina desde 2014, apontam que o público de 18 a 30 anos está entre os principais compradores de imóveis enquadrados no Minha Casa, Minha Vida na capital. Esse perfil identificado pela empresa representa 52% das vendas feitas na cidade de janeiro a setembro deste ano. Nacionalmente, esse comportamento aparece de forma expressiva nos dados de vendas. No primeiro semestre de 2026, 54% dos compradores da construtora tinham entre 18 e 30 anos.

Para esse consumidor, a aquisição do imóvel representa mais do que a mudança de endereço. É também uma forma de conquistar independência, organizar a vida financeira e transformar um compromisso mensal com aluguel em um patrimônio próprio.

“A conquista também foi viabilizada pelas condições oferecidas pelos programas habitacionais, como o prazo de pagamento de 35 anos, o financiamento com juros que não variam conforme a Taxa Selic e a maior previsibilidade das parcelas, fatores que tornam a compra do primeiro imóvel mais acessível para os jovens”, explica Thiago Ely, VP Comercial e Marketing da MRV.

Esse contexto ajuda a explicar por que a intenção de compra vem crescendo entre os consumidores mais jovens. Levantamento da Brain Inteligência Estratégica, divulgado pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC), mostra que 52% dos brasileiros declararam intenção de comprar um imóvel nos próximos meses, o maior patamar da série histórica iniciada em 2019. Entre consumidores de 21 a 28 anos, o índice chegou a 67%, ante 57% em meados de 2025. A pesquisa ouviu 1.200 pessoas em junho de 2026, em levantamento de abrangência nacional.

A decisão de comprar um imóvel, no entanto, está relacionada a diferentes etapas da vida. Segundo a pesquisa, mudanças de vida aparecem em 64% das respostas. Entre as principais motivações citadas estão sair do aluguel, mencionado por 37% dos entrevistados, deixar a casa dos pais, por 15%, e mudar de localidade, por 9%.

Financiamento facilita entrada dos jovens

A ampliação das condições de financiamento habitacional também contribui para que consumidores mais jovens considerem a compra de um imóvel mais cedo. Em abril deste ano, a Caixa passou a operar novas condições do Minha Casa, Minha Vida, com atualização dos limites de renda e dos valores dos imóveis que podem ser financiados pelo programa. As novas regras ampliaram o atendimento para famílias com renda mensal de até R$ 13 mil e elevaram o teto dos imóveis financiáveis para até R$ 400 mil na Faixa 3 e R$ 600 mil na modalidade Classe Média.

No caso dos jovens, o financiamento de longo prazo pode funcionar como uma alternativa para transformar a renda mensal em uma estratégia de aquisição patrimonial. A possibilidade de utilizar recursos do FGTS, quando o comprador atende aos critérios, também pode ajudar na composição da entrada ou na redução do saldo financiado.

O movimento acontece em um mercado que segue aquecido. A Caixa informou, em julho de 2026, que sua carteira de crédito imobiliário alcançou R$ 1 trilhão, com crescimento superior a 14% em 12 meses. Somente no primeiro trimestre de 2026, foram originados R$ 64,2 bilhões em crédito imobiliário pelo banco, alta de 30,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Com informações da Ascom

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