Cade inicia monitoramento do mercado de delivery no Brasil

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) começou a monitorar o mercado de delivery em cidades brasileiras como Goiânia, Rio de Janeiro, Santos, São Paulo e São Vicente. A iniciativa, assinada pelo superintendente-geral Alexandre Barreto de Souza, busca elaborar estudos e pareceres Econômicos para acompanhar as atividades e práticas comerciais dessas empresas.

Medidas e investigação de práticas anticompetitivas

No dia 1º de novembro, o Cade anunciou a abertura de procedimento administrativo para acompanhar o setor de delivery online de alimentos. O objetivo é prevenir infrações à ordem econômica e assegurar condições de competição justa no mercado.

Bastidores da ‘guerra do delivery’ e investigações internas

Empresas do segmento enfrentam diversas investigações internas após o crescimento acelerado do mercado. Desde a chegada das chinesas Keeta e 99Food, há suspeitas de espionagem, consultorias suspeitas e roubos de notebooks, especialmente durante eventos comerciais e visitas a restaurantes. Segundo apurações, ex-funcionários do iFood e da 99Food, além de consultorias estrangeiras, estariam envolvidos em ações que levantam questões sobre práticas anticompetitivas.

Em 15 de outubro, o Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu contra a 99Food, que havia processado o iFood por alegada campanha para enfraquecer sua marca. A empresa recorreu da decisão, defendendo a importância das bags de entregador como elemento de reconhecimento de marca, e uma investigação interna foi aberta para apurar vazamentos de dados confidenciais, além de ações de espionagem.

Conflitos e práticas suspeitas no setor de delivery

As investigações revelaram tentativas de manipulação de informações internas, além de abordagens usando mensagens oferecendo até US$ 1 mil para colaboradores participarem de reuniões sobre dados estratégicos. Caso semelhante ocorreu com a Polícia Civil de Piracicaba, que cumpriu mandado de busca e apreensão na residência de um ex-funcionário do iFood por repasse de dados secretos. Situações semelhantes foram identificadas em operações policiais contra outros ex-funcionários, com suspeitas de repasse de informações para consultorias estrangeiras, como a Meituan, controladora da Keeta.

As empresas também têm opiniões divergentes sobre a postura do Cade. A 99Food afirmou que a atuação da autoridade é importante para ampliar a concorrência e a diversidade de ofertas. Já o iFood criticou a iniciativa, alegando preocupação com práticas predatórias adotadas por novos entrantes no mercado, que podem afetar o setor de forma estrutural.

Reações do mercado e perspectivas

A Keeta revelou que busca defender um mercado de delivery livre e justo, solicitando ao Cade investigação sobre práticas anticompetitivas ocorridas no setor. A companhia afirmou que confia na atuação das instituições brasileiras para promover o crescimento saudável do mercado.

Até o momento, a Rappi, outra grande player do mercado, não se posicionou até o fechamento desta reportagem.

As tensões na guerra dos aplicativos renovam a atenção regulatória e mostram que o setor de delivery continuará sendo alvo de escrutínio, especialmente diante das suspeitas de espionagem, uso de consultorias suspeitas e ações de sabotagem entre concorrentes.

Fonte

Com informações do Jornal Diário do Povo

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