Cade aprova fusão entre Petz e Cobasi com restrições
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou nesta quarta-feira (10), com restrições, a fusão entre as redes de produtos para animais Petz e Cobasi. A operação criará a maior estrutura de varejo pet do Brasil e uma das maiores da América Latina, respondendo por cerca de 40% do mercado nacional.
Restrição e condições para a conclusão
Para concretizar a fusão, as empresas precisarão vender 26 lojas no estado de São Paulo, principalmente na capital paulista. Segundo informações divulgadas pelas próprias companhias, essas unidades representam cerca de 3,3% do faturamento conjunto nos últimos 12 meses. Atualmente, a união soma 515 lojas — 264 da Petz e 251 da Cobasi.
Medidas para garantir a competição
O relator do caso, conselheiro José Levi Mello do Amaral, explicou que a venda concentrada de lojas em São Paulo promove um “reforço competitivo” na região mais sensível. O acordo também inclui remédios comportamentais, como limites a cláusulas de exclusividade, embora esses detalhes não tenham sido divulgados publicamente. A proposta busca evitar a construção de uma posição de mercado excessivamente dominante.
Por outro lado, a conselheira Camila Cabral Pires Alves manifestou preocupação com a indicação das lojas a serem vendidas, ressaltando que, mesmo após os desinvestimentos, ainda poderão existir mercados com problemas de competição. Ela questionou a segurança das soluções apresentadas.
O presidente do Cade, Gustavo Freitas de Lima, destacou que a efetividade do acordo depende das futuras ações de potenciais compradores, entre eles a Petlove, que se manifestou formalmente no processo. “Se vai dar certo ou não é o que vamos medir e monitorar”, afirmou.
Resistência de concorrentes e debates sobre mercado digital
A Petlove, principal adversária da fusão, foi a principal voz contrária ao acordo. A empresa, que atua principalmente no comércio eletrônico, afirmou ao Cade que a união criaria um grupo “30 vezes maior que o terceiro colocado” do setor pet e que isso prejudicaria a livre concorrência.
Segundo a Petlove, a venda de até 28 lojas não seria suficiente para evitar prejuízos à competição. Entretanto, o conselho rejeitou esse argumento, considerando o pacote de desinvestimentos e os compromissos comportamentais como medidas capazes de mitigar os efeitos anticompetitivos.
As companhias justificaram ainda que a concorrência deve ser avaliada também pelo ambiente digital, já que consumidores comparam preços entre lojas físicas e plataformas online, aumentando a complexidade da análise antitruste.
Impacto financeiro e participação de mercado
Com a fusão, a nova empresa terá um faturamento anual de cerca de R$ 7 bilhões, respondendo por aproximadamente 40% do mercado pet brasileiro, que movimenta cerca de R$ 80 bilhões por ano, segundo dados apresentados ao Cade. A expectativa é que as sinergias gerem uma economia de custos de até R$ 330 milhões.
Os acionistas da Cobasi ficarão com 47,4% da nova companhia, enquanto a Petz terá 52,6%, além de receber R$ 400 milhões, sendo R$ 130 milhões via dividendos. Os detalhes financeiros foram destacados na apuração do acordo societário.
Contexto e histórico da operação
A fusão foi inicialmente aprovada pelo Cade sem restrições em junho, mas a decisão foi revista após recurso apresentado pela Petlove. A diretoria de estudos econômicos da autarquia alertou que, sem remédios corretivos, o preço de mercado poderia subir até 15% em regiões dominadas por Petz e Cobasi.
Durante o julgamento, o conselheiro Carlos Jacques Vieira Gomes reforçou a necessidade de regras claras e isonômicas para o desinvestimento, caso haja mais de um comprador interessado pelas lojas ameaçadas.
Estratégia das empresas e futuro do setor
A Petz, fundada em 2002, possui atualmente 7 mil funcionários e 264 lojas distribuídas por 23 estados e no Distrito Federal. Sua receita líquida em 2024 foi de R$ 3,3 bilhões, operando também clínicas e hospitais veterinários, além de marcas como Seres e Zee.Dog.
Já a Cobasi, criada em 1985, também conta com 7 mil colaboradores e opera 251 lojas em 94 cidades. No último ano, faturou R$ 3,2 bilhões, atuando com marcas como Mundo Pet e Pet Anjo. Com a fusão, ambas consolidam maior presença no setor, com mais de 480 lojas no país.
Vigilância e próximos passos
O Cade afirmou que continuará atento ao cumprimento das exigências e ao impacto da fusão sobre preços, variedade de produtos e ingresso de novos concorrentes. A decisão visa garantir uma competição saudável no mercado pet brasileiro, que deve evoluir com a entrada de novos players e plataformas digitais.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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