Brasil precisa revisar sua política comercial para impulsionar crescimento
A política comercial do Brasil permanece pouco reformulada desde os anos 1990, apesar do cenário global de integrações e acordos comerciais. Enquanto países emergentes avançaram na liberalização unilateral, o Brasil adotou um sistema complexo e protecionista, dificultando a competitividade e o acesso a tecnologias.
Desafios da política comercial brasileira
O Brasil apresenta uma tarifa média de importação de 11,7% para produtos industriais, significativamente superior à União Europeia (3,8%) e ao México (6%), dificultando a entrada de bens e inibindo o crescimento da produtividade nacional. Além disso, o uso de medidas não-tarifárias, como inspeções e licenças, impacta muitas importações e cria dificuldades adicionais às empresas.
Impactos econômicos e oportunidades perdidas
Com a guerra comercial dos Estados Unidos, que elevou tarifas sobre várias importações, o Brasil não ajustou sua política de forma a aproveitar oportunidades de abertura. Como resultado, a balança comercial da indústria de transformação, que já foi superavitária, acumula atualmente um déficit de US$ 66 bilhões em 12 meses até junho de 2025. Segundo análises, tarifas sobre produtos farmacêuticos podem alcançar 250%.
Mesmo antes das ações de Trump, o país já vivia dificuldades, como o aumento do preço do hambúrguer nos EUA, considerada a maior em uma década, refletindo o impacto das políticas protecionistas globais. O Brasil importa atualmente 25% do consumo de produtos industrializados, uma alta de 10 pontos percentuais em duas décadas, mas pouco avança na diversificação de suas exportações, que representam apenas 13% do total, com poucos acordos comerciais firmados.
A necessidade de uma revisão na política comercial
O sistema atual, fragmentado e altamente protegido, torna a ação conjunta para abertura de mercado difícil. As regras diferenciadas para setores diversos, como automóveis, têxteis e máquinas, dificultam uma estratégia unificada.⠀Além disso, o governo anterior, sob Paulo Guedes, buscou simplificar processos e reduzir tarifas, mas essa agenda precisa de continuidade, o que não ocorreu atualmente.
O fechamento do mercado não trouxe os ganhos esperados: a indústria permanece estagnada, com baixa capacidade de investimento e produtividade, tornando-se vulnerável a choques econômicos. Como destaca a literatura econômica, essa situação compromete o crescimento de longo prazo e a atração de investimentos, especialmente em projetos de maior valor agregado, como os envolvendo inovação tecnológica.
Perspectivas futuras
O Brasil precisa repensar suas políticas comerciais e abrir-se ao comércio internacional para ampliar suas oportunidades de crescimento. A busca por novos mercados, diante do aumento das tarifas e proteções em países como os Estados Unidos, ficará mais difícil se o país continuar com uma postura fechada. Converter a resistência em uma estratégia de integração será fundamental para retomar o ritmo dos países emergentes.
Segundo especialistas, a continuidade de uma agenda de liberalização, com planos de longo prazo, poderia trazer benefícios à economia brasileira, aumentaria a competitividade da indústria e favoreceria o despertar de novas oportunidades no comércio exterior. Para isso, é imprescindível uma liderança política que priorize reformas e processos de abertura, em detrimento do protecionismo excessivo que, até aqui, mostrou-se prejudicial ao crescimento sustentável do país.
(*) Fonte dos dados: O Globo
Com informações do Jornal Diário do Povo
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