Bolsa desaba 4,31% após anúncio da candidatura de Flávio Bolsonaro
O principal índice da Bolsa brasileira, o Ibovespa, encerrou a sexta-feira com uma queda de 4,31%, após atingir sua máxima histórica intradiária acima de 165 mil pontos. A marca foi revertida em meio a uma forte reação negativa do mercado, que viu seu valor evaporar quase oito mil pontos ao longo do dia.
Reação ao anúncio da candidatura de Flávio Bolsonaro
A valorização do presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena na Polícia Federal em Brasília por tentativa de golpe de Estado, ao apoiar seu filho, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na disputa presidencial de 2026, foi o catalisador da enxurrada de vendas no mercado financeiro. A notícia, antecipada pelo portal Metrópoles às 12h46, fez o Ibovespa, que atingiu sua máxima intradiária às 12h45, mergulhar numa aversão ao risco semelhante à vista há mais de quatro anos.
Por que a reação foi tão forte?
Analistas explicaram que essa forte volatilidade reflete um receio do mercado de que a decisão de Bolsonaro de apoiar o filho possa prejudicar o ambiente político necessário para avanços econômicos. Segundo Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, essa sensibilidade acontece por conta da probabilidade de perda de foco na agenda de reformas e na responsabilidade fiscal, essenciais para a sustentabilidade da dívida pública.
Impacto na credibilidade e na dívida pública
Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central e presidente do conselho da JiveMauá, destacou que a escolha de Flávio diminui a competitividade na corrida eleitoral, dificultando a realização de ajustes fiscais importantes para a prioridade do momento: reduzir a relação dívida/PIB, que atualmente, segundo ele, alcança cerca de 80%, uma das mais altas entre emergentes.
Expectativas de mercado e cenário político
De acordo com analistas, a expectativa é que a possível polarização provoque uma maior rejeição ao sobrenome Bolsonaro, o que pode fortalecer a candidatura de Lula. Rafael Ihara, economista-chefe da Meraki Capital, afirmou que, com a rejeição elevada ao clã Bolsonaro, o mercado está em “modo stop”, aguardando um cenário mais favorável à alternância de poder.
Relatório recente do banco J.P. Morgan aponta que as eleições de 2026 terão grande impacto na política macroeconômica do Brasil. O documento destaca que, em caso de mudança de governo, o índice Ibovespa pode subir até 230 mil pontos, uma valorização de 40% em relação ao fechamento de quinta-feira, mas também sugere uma potencial queda para 120 mil pontos, caso o atual cenário persista.
O que é a relação dívida/PIB?
Um dos principais receios do mercado é a alta da dívida pública, expressa na relação dívida/PIB, que mede o endividamento de um país em relação à sua capacidade de gerar riqueza. Luiz Fernando Figueiredo explica que, atualmente, o Brasil tem uma dívida acima de 78% do PIB e que esse nível crescente compromete sua atratividade para financiamento internacional, elevando a taxa de juros e impactando o valor do dólar.
“Nossa dívida já é muito alta e cresce rapidamente, o que aumenta o medo de calote e prejudica a confiança de investidores”, afirma Figueiredo. Para ele, sem ajustes fiscais, essa situação pode gerar um ciclo vicioso de desconfiança e maior dificuldade na rolagem da dívida, agravando a crise econômica.
O relatório do J.P. Morgan reforça essa preocupação ao indicar que, desde o início do governo atual, os gastos aumentaram cerca de 20%, elevando a relação dívida/PIB para quase 80%. Como consequência, o país vê sua trajetória de crescimento de endividamento ameaçada, o que pode afetar o ritmo do mercado de ações e a cotação do dólar.
Mais detalhes sobre os impactos da eleição e o cenário econômico brasileiro podem ser acessados na matéria completa do O Globo.
Com informações do Jornal Diário do Povo
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