Banco Central liquida extrajudicialmente a Reag Trust, sob acusações de fraude

O Banco Central (BC) anunciou nesta quarta-feira (15) a liquidação extrajudicial da Reag Trust, uma das maiores gestoras independentes de recursos do Brasil. A medida foi adotada após investigação em que se verificam irregularidades envolvendo a gestão de fundos de investimento e relações suspeitas com o Banco Master, alvo de operações policiais recentes. A decisão do BC ocorre um dia depois da Polícia Federal deflagrar a segunda fase da Operação Compliance Zero, na qual João Carlos Mansur, fundador da Reag, foi alvo de busca e apreensão.

Fraudes e irregularidades no centro da crise da Reag Trust

A investigação aponta para um amplo esquema de fraudes financeiras que envolvia uma complexa rede de fundos de investimento, utilizados para uma série de operações ilegais, incluindo lavagem de dinheiro e manipulação de valor de ativos. Segundo fontes próximas ao caso, há indícios de que recursos eram aplicados de forma artificial, criando uma valorização exagerada dos ativos, como uma transação que chegou a valorizar títulos em mais de 10 milhões por cento — uma cifra incompatível com qualquer parâmetro de mercado.

Relações com o Banco Master e impacto na economia

O foco das apurações está nas relações entre a gestora e o Banco Master, especialmente na concessão de empréstimos que, de acordo com investigações, eram feitos sem pagamento efetivo, gerando receitas fictícias e inflando os resultados do banco. Em setembro, uma primeira fase da Operação Compliance Zero revelou empreendimentos irregulares na venda de carteiras de crédito, envolvendo também o envolvimento do proprietário do banco, Daniel Vorcaro, que nega qualquer irregularidade.

Consequências para investidores e o mercado

A decisão do BC decidiu bloquear os bens dos controladores e ex-administradores da Reag, buscando garantir recursos para futura indenização de credores. A liquidação inclui a suspensão de atividades dos fundos administrados pela gestora e a interrupção do contrato de ‘naming rights’ com o cinema Belas Artes, um dos ícones paulistanos, que foi encerrado antecipadamente após as investigações.

Histórico de irregularidades e resposta das autoridades

Desde 2023, a Reag Trust vinha sendo alertada por órgãos reguladores sobre possíveis irregularidades na gestão dos fundos, que totalizavam 625 ao todo. Apesar das recomendações, a empresa continuou a praticar operações que levantaram suspeitas de manipulação de valor e lavagem de dinheiro. Em janeiro de 2025, a gestora entrou na Bolsa ao adquirir uma companhia listada, mas sua trajetória sofreu uma crise profunda com as investigações e a operação policial.

Implicações futuras e tentativa de recuperação

Até o momento, a Reag não comentou oficialmente a decisão do BC. Em dezembro, a gestão realizou uma reestruturação, com saída do controle e do cargo de CEO, numa tentativa de preservar a imagem da empresa. Investigadores indicam que os controles internos poderiam ter sido burlados desde o início, com procedimentos fraudulentos que resultaram na formação de patrimônios fictícios e na geração de lucros ilegais.

Segundo especialistas, a liquidação representa uma mensagem dura para o setor financeiro, reforçando a vigilância contra esquemas de fraude em fundos de investimento. A expectativa é que novas medidas sejam adotadas para fortalecer a fiscalização e evitar casos semelhantes no futuro.

Mais detalhes sobre o caso e as investigações podem ser acessados neste link.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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