Balança comercial do agronegócio brasileiro atinge segunda maior marca da história em 2025

Em 2025, o saldo da balança comercial do agronegócio brasileiro avançou 3,6%, chegando a US$ 127,84 bilhões, marcando a segunda maior marca da história. Sem esse resultado positivo, o comércio exterior do país teria registrado um déficit de US$ 59,5 bilhões, ao invés do superávit de US$ 68,3 bilhões apurado, segundo a consultoria Datagro com base em dados da Secex.

Exportações em recorde apesar das tarifas americanas

Mesmo com o aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos a produtos agrícolas brasileiros, as receitas do setor atingiram novo recorde em 2025. As exportações totalizaram US$ 170,04 bilhões, crescimento de 2,5% em relação a 2024, representando 48,5% do total das vendas externas do Brasil no período.

Os principais destinos foram China e União Europeia. As vendas à China somaram US$ 55,3 bilhões, um aumento de 11,3%, com a participação do país asiático na exportação do setor subindo de 30,2% para 32,5%. O complexo de soja foi destaque, com embarques de US$ 34,6 bilhões e crescimento de 9,8%, respondendo por cerca de 65,4% das exportações brasileiras do item.

Desempenho de principais produtos e mercados

As exportações para a União Europeia também tiveram crescimento, totalizando US$ 25,21 bilhões, alta de 8,6%, com destaque para café verde, celulose, carne bovina in natura e suco de laranja. Em contrapartida, as vendas aos Estados Unidos caíram 5,6%, para US$ 11,40 bilhões, refletindo as tarifas comerciais implementadas durante a gestão Trump.

Café e carne lideram o crescimento exportador

De acordo com cálculos da Datagro, o aumento das exportações em 2025 foi impulsionado pelo crescimento do volume embarcado. O café foi o produto de destaque, com receita crescida em 30,3%, atingindo US$ 16,08 bilhões, sustentada pela alta dos preços internacionais devido a problemas climáticos em grandes países produtores, como geadas e seca no Brasil, além da redução de oferta no Vietnã e Indonésia.

As exportações de carnes também tiveram forte avanço, crescendo 21,5% e atingindo US$ 31,81 bilhões. O setor foi beneficiado pela forte demanda internacional, especialmente da China, e pela ampliação da capacidade de produção brasileira. As vendas de carne bovina, por exemplo, aumentaram 40,1%, totalizando US$ 18,03 bilhões.

Setores em retração e desafios

Por outro lado, o setor sucroenergético enfrentou forte recuo, com uma queda de 23,5% nas receitas exportadas, totalizando US$ 15,06 bilhões. A redução de volumes embarcados e a pressão por preços globais mais baixos impactaram o desempenho, com exportações de açúcar caindo cerca de 19% em volume e o menor volume de etanol desde 2017, com queda de aproximadamente 14,6%.

Aumento nos custos e importações moderadas

Gastos do agronegócio, incluindo fertilizantes e defensivos, subiram 1,2%, totalizando US$ 42,20 bilhões, impulsionados pelo aumento de importações de fertilizantes nitrogenados e de potássio. Apesar disso, a participação dessas compras externas no total das importações brasileiras caiu para 15,1%, menor desde 2018.

Perspectivas para o setor em 2026

Segundo cálculos da Datagro, o saldo do agronegócio poderia ser até 10,7% maior em 2025, atingindo US$ 141,47 bilhões, caso a importação de gasolina seguisse o fluxo dos anos anteriores, embora o aumento do consumo interno de etanol venha reduzindo a participação da gasolina na matriz de combustível do país.

Os resultados demonstram a força do setor agrícola brasileiro diante de desafios comerciais e climáticos, consolidando sua relevância para a economia nacional e para o superávit comercial do Brasil.

Fonte: O Globo

Com informações do Jornal Diário do Povo

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