Avança acordo UE-Mercosul com garantias financeiras e negociações em Bruxelas

Os ministros da Agricultura dos países da União Europeia reunidos hoje em Bruxelas deram um novo passo para a assinatura final do acordo com o Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A formalização pode ocorrer na próxima semana, após discussões e negociações em andamento.

Orçamento garantido e apoio financeiro à agricultura

Foi anunciado um orçamento garantido de € 293,7 bilhões (R$ 1,73 trilhão) dentro da Política Agrícola Comum (PAC), destinado a dar previsibilidade financeira aos produtores rurais europeus, que têm receios de enfrentar uma concorrência desleal caso o acordo seja concretizado. Este montante pode ser ampliado pelos diferentes países membros.

Além disso, foram anunciadas garantias adicionais de € 40 bilhões (R$ 236 bilhões) para pesquisas em biotecnologia, e a União Europeia ainda vai dobrar a reserva para crises de mercado, chegando a € 6,3 bilhões, para proteger os agricultores de possíveis choques de preço, como destaca o jornal francês Le Monde.

Expectativa de assinatura e negociações finais

De acordo com informações do Le Monde, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, visita o Paraguai na próxima segunda-feira, dia 12, para assinar oficialmente o acordo, que está em negociação há 25 anos.

Na terça-feira, acontece uma votação entre os 27 Estados-membros, e, apesar da oposição da França, há otimismo de que o acordo seja aprovado. A Itália, que anteriormente tinha divergências, mudou de posição, o que aumenta as chances de sucesso na votação.

Posições divergentes e desafios do setor agrícola

O ministro italiano de Relações Exteriores, Antonio Tajani, ressaltou que o acordo UE-Mercosul oferece vantagens significativas e potencial importante para o continente europeu. Já a ministra francesa da Agricultura, Annie Genevard, manifestou preocupação, afirmando que o projeto é profondamente desestabilizador para setores como frango, carne bovina, açúcar e etanol. “O acordo, como está, é inaceitável”, afirmou à Radio France.

Para tentar acalmar o setor agrícola, a Comissão Europeia prometeu reduzir as taxas sobre fertilizantes nitrogenados e suspender retroativamente o imposto de carbono sobre fertilizantes a partir de 1º de janeiro deste ano, quando entrou em vigor. Segundo o governo francês, esse imposto poderia aumentar em até € 4 mil o custo das fertilizações por propriedade rural ao ano.

No entanto, os representantes dos agricultores voltaram a protestar nas ruas de Bruxelas. François Walraet, secretário-geral do sindicato Coordenação Rural, afirmou que as medidas prometidas ainda são insuficientes para compensar o impacto do acordo ou para tirar o setor agrícola do impasse de anos.

Mais informações podem ser acompanhadas na reportagem do O Globo.

Com informações do Jornal Diário do Povo

Share this content:

Publicar comentário