Adidas é acusada de apropriação cultural por sandálias tradicionais de Oaxaca

Autoridades do estado mexicano de Oaxaca denunciaram a Adidas por apropriação cultural após o lançamento do modelo “Oaxaca Slip-On”, considerado uma cópia de um design tradicional da região de Villa Hidalgo Yalalag, sem autorização ou reconhecimento dos verdadeiros criadores. O caso reacendeu o debate sobre o uso indevido de elementos culturais indígenas por grandes marcas.

A disputa pelo design dos huaraches

Segundo o deputado local Isaías Carranza, a Adidas, em colaboração com o designer norte-americano de raízes mexicanas Willy Chavarría, se apropriou de um design exclusivo dos huaraches tradicionais da comunidade indígena de Yalalag. “A empresa e o designer se apropriaram de um design único dos huaraches, que representam a cultura, história e identidade do povo zapoteca”, afirmou Carranza em uma publicação no Facebook.

Reação do governo de Oaxaca e do designer

Salomón Jara, governador de Oaxaca, declarou durante uma coletiva de imprensa que o modelo lançado pela marca alemã seria uma reinterpretção do huarache, mas que não possui reconhecimento oficial da origem indígena. Ele também ameaçou tomar medidas legais contra Willy Chavarría, anunciando que buscará uma denúncia com as comunidades de Yalalag. “Vamos pedir aos nossos irmãos yalaltecos que trabalhemos juntos para apresentar uma denúncia”, afirmou Jara, enfatizando que o calçado é um símbolo da cultura indígena que, segundo ele, foi desrespeitada.

Importância cultural dos huaraches

O governador ressaltou que os huaraches não são apenas um design, mas um elemento ligado à história, cultura e identidade do povo zapoteca. Região de Oaxaca, que possui uma das maiores populações indígenas do México, luta há anos contra a apropriação não autorizada de seus elementos culturais por empresas e estilistas internacionais.

A postura das autoridades culturais de Oaxaca

A Secretaria de Culturas e Artes de Oaxaca afirmou que a adoção de elementos culturais sem consentimento constitui uma violação aos direitos coletivos indígenas. Por isso, exigiu que a Adidas suspenda imediatamente a comercialização do modelo “Oaxaca Slip-On”, além de abrir um diálogo e um processo de reparação com a comunidade de Yalalag e reconhecer publicamente a origem do design.

Em uma mensagem publicada no perfil do X (antigo Twitter), a secretaria reforçou que estas manifestações culturais devem ser protegidas e que sua apropriação sem autorização constitui uma violação dos direitos indígenas.

Reação do designer e controvérsias anteriores

Willy Chavarría, que tem em suas criações uma valorização de sua ascendência chicana, defendeu sua colaboração com a Adidas, afirmando que seu trabalho representa uma homenagem à cultura chicana. “Me enche de orgulho trabalhar com uma empresa que realmente respeita e enaltece nossa cultura de forma autêntica”, declarou ao site Sneaker News.

Chavarría esteve no centro de controvérsias anteriores, como uma acusação do presidente salvadorenho Nayib Bukele, que o criticou por supostamente glorificar criminosos em um desfile em Paris, onde alguns modelos se ajoelharam em referência a uma postura de presos de gangues.

Contexto da apropriação cultural no México

O México tem uma longa história de denúncias sobre o uso não autorizado de suas expressões culturais por marcas internacionais, incluindo empresas chinesas, espanholas e venezuelanas. Em 2022, o país adotou uma lei federal de proteção aos direitos de propriedade intelectual e cultural dos povos indígenas e afro-mexicanos, permitindo punições que incluem multas e prisão pelo uso indevido de elementos culturais.

Até o momento, nem a Adidas nem Willy Chavarría se pronunciaram oficialmente sobre a controvérsia. A marca alemã, contudo, já enfrentou questionamentos anteriores, como uma acusação do Ministério da Cultura do Marrocos, que admitiu que o design das camisas para a seleção argelina foi inspirado nos mosaicos tradicionais do país.

Por sua vez, a Secretaria de Culturas de Oaxaca destacou a importância de proteger essas expressões culturais e garantir o reconhecimento de seus verdadeiros criadores, reforçando que o uso sem consentimento é considerado uma violação dos direitos coletivos.

Para saber mais detalhes sobre o caso, acesse este artigo no Globo.

Com informações do Jornal Diário do Povo

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